Geral Polêmica
Prefeito expulsa médicos de hospital após acusar profissionais de dormir e 'namorar' durante plantão
Episódio foi registrado em vídeo em uma unidade de Barreiros, município de Pernambuco; entidades médicas criticaram a exposição dos profissionais e contestaram as acusações
06/11/2026 14h25
Por: Anderson Almeida Fonte: g1
Reprodução / Redes Sociais (Aprimorada Por IA)

Uma abordagem do prefeito de Barreiros, em Pernambuco, Carlos Artur Soares de Avelar, conhecido como Carlinhos da Pedreira (PP), a dois médicos que estavam de plantão no Hospital Municipal Jailton Messias de Souza Albuquerque ganhou repercussão nas redes sociais. Imagens divulgadas mostram o gestor discutindo com os profissionais, acusando-os de dormir e de manter um relacionamento íntimo durante o expediente, além de ordenar que deixassem a unidade.

O episódio ocorreu na noite de quarta-feira (4), durante uma visita inesperada do prefeito ao hospital. Segundo a versão apresentada pelo gestor, a fiscalização foi motivada por reclamações sobre a suposta falta de médicos no atendimento. Ao entrar em uma das salas utilizadas para repouso, ele encontrou uma médica e um médico no mesmo ambiente e passou a repreendê-los em voz alta.

Nas gravações, Carlinhos da Pedreira afirma que a emergência estava cheia enquanto os profissionais estariam descansando. Durante a discussão, ele determina a saída dos dois trabalhadores e utiliza expressões ofensivas para se referir a eles. Os nomes dos médicos não foram divulgados.

Em outra gravação, publicada pelo próprio prefeito na quinta-feira (5), durante participação em um podcast, ele apresentou sua versão sobre a fiscalização. O gestor afirmou que havia retornado do Recife por volta das 22h e decidiu passar pelo hospital. Ao encontrar a recepção cheia, teria sido informado de que havia três médicos na unidade, mas apenas um estaria realizando atendimentos. Ele disse que procurou os demais profissionais e, após encontrá-los no alojamento, decidiu demiti-los imediatamente, classificando a situação como negligência médica.

Após a repercussão do caso, a Prefeitura de Barreiros anunciou o encerramento do contrato de gestão nº 026/2024 com a Associação João Paulo II. Em nota, a administração municipal informou que reassumirá temporariamente as responsabilidades administrativas, operacionais e assistenciais do hospital, enquanto prepara uma licitação para selecionar uma nova organização responsável pela unidade. A gestão afirmou que a decisão foi tomada após acompanhamento e avaliação da execução contratual e que pretende assegurar a continuidade dos serviços durante a transição.

O episódio também provocou manifestações de entidades médicas. O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) criticou a exposição pública dos plantonistas. Já o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) repudiou a abordagem do prefeito e afirmou que as imagens não comprovam as insinuações de natureza íntima. A entidade informou ainda ter recebido relatos de que os dois profissionais estavam em período de descanso após 12 horas de intensa atividade assistencial, enquanto um terceiro médico permanecia responsável pelos atendimentos. Para o sindicato, o repouso durante o plantão não representa, por si só, abandono do serviço, desde que a continuidade da assistência esteja garantida.