Mata de São João CONTAS PÚBLICAS
Gestão Caetano tira R$ 34 milhões do Social e gasta quase o triplo do previsto em propaganda
Pagamentos na área social caíram 39% no primeiro ano do petista, enquanto a despesa com publicidade superou em R$ 8,6 milhões o valor reservado no orçamento.
08/11/2026 11h11
Por: Gabriel Seixas Fonte: Mais Região
Arquivo Mais Região

A gestão do prefeito Luiz Caetano (PT) pagou quase R$ 34 milhões a menos em assistência social em 2025 do que a administração de Elinaldo Araújo (União Brasil) em 2024. Foram R$ 52,5 milhões no primeiro ano do petista, contra R$ 86,2 milhões no último ano do antecessor, uma queda de 39%. No mesmo período, a Prefeitura de Camaçari gastou com propaganda quase o triplo do que havia previsto no orçamento. Os dados constam dos relatórios fiscais enviados pela própria Prefeitura ao Tesouro Nacional e dos registros do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA), levantados pelo Mais Região.

Descontada a inflação, a redução na área social chega a 42%, e o valor pago em 2025 é o menor desde pelo menos 2022. O corte foi mais que o dobro do ajuste geral das contas: a despesa total do município caiu 17% no período. A própria gestão reduziu a verba da área ao longo do ano. A Lei Orçamentária previa R$ 86,4 milhões para a assistência social, e o valor terminou o ano em R$ 71,7 milhões, com recursos remanejados para outras áreas.

A maior perda foi na assistência comunitária, linha do orçamento que costuma abrigar cestas básicas e benefícios a famílias vulneráveis. Ali, os pagamentos caíram de R$ 26 milhões para R$ 10,2 milhões. A compra de cestas em 2025 chegou a ser suspensa por liminar, depois derrubada pelo Tribunal de Justiça da Bahia, e é alvo de duas denúncias no TCM-BA, ainda em andamento e sem julgamento.

Na propaganda, o movimento foi o inverso. O orçamento de 2025 reservava R$ 4,9 milhões para comunicação, mas os pagamentos chegaram a R$ 13,5 milhões, dos quais R$ 12,1 milhões foram para uma única agência, a SLA Propaganda. Em 2026, a história se repete: de uma previsão de R$ 5,4 milhões, a Prefeitura já pagou R$ 9,6 milhões até setembro, 39% a mais que no mesmo período do ano passado.

A comparação da publicidade com a gestão anterior tem uma ressalva. Por ser ano eleitoral, a lei limitou os gastos de Elinaldo em 2024, que ficaram em R$ 3,8 milhões. Nos anos sem eleição, o ex-prefeito gastou mais: R$ 14,6 milhões em 2022 e R$ 18,2 milhões em 2023.

Caetano atribui as dificuldades de caixa à herança do antecessor, e os números dão base parcial ao argumento. Em 2024, a gestão anterior recebeu R$ 249 milhões em empréstimos e fechou o ano com déficit primário de R$ 226 milhões. Em 2025, o pagamento de juros e amortizações subiu R$ 91 milhões. Elinaldo afirma ter deixado as contas saudáveis. Em 2026, a assistência social dá sinais de recuperação: de janeiro a agosto, foram liquidados R$ 51,3 milhões, 76% acima do mesmo período de 2025.