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Único negócio com doleiro foi venda de terreno, diz Argôlo

"Não tenho ligações com nenhum grupo parlamentar do Congresso, sou um peixe miúdo", declarou

20/08/2014 09h40
Por: Redação
A Tarde Empurrado para o olho do furacão da Operação Lava-Jato, devido às escutas telefônicas da Polícia Federal que flagraram suas conversas com o doleiro Alberto Youssef, o deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA) diz estar tranquilo e confiante de que provará sua inocência na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. Ele jura não ter cometido qualquer ilícito. "Não tenho ligações com nenhum grupo parlamentar do Congresso, sou um peixe miúdo, não indiquei ninguém no governo, nem sou intermediário de negócios entre a Petrobras e empresas", declarou na terça-feira, 19. Explicou que a única operação mantida com Youssef foi a venda para o doleiro de um terreno de R$ 365 mil, situado no município de Camaçari, em 2012. A maioria das conversas "grampeadas" teria tratado do pagamento desse terreno. "Ele ainda me deve R$ 150 mil", disse. Informou que os R$ 60 mil depositados na conta de Manoelito Argôlo (seu pai) pela contadora Meire Poza se refere a uma das parcelas dessa compra. Pedido Sobre a contadora, o deputado fez uma revelação que põe em xeque o depoimento dela à Comissão de Ética. Meire o teria procurado pedindo que ele pagasse o advogado de defesa no processo da Lava-Jato. Ele diz que se recusou alegando não ter envolvimento com os fatos. O deputado afirma que quer provar essas afirmações quando for convocado pela Comissão de Ética. "Fico me perguntando por que só foram divulgadas as minhas conversas quando vários deputados também tiveram escutas autorizadas pela Justiça. Veja, não recebi um centavo de doação das empresas citadas ou envolvidas na Lava-Jato". Conforme a investigação da PF, fornecedoras da Petrobras foram responsáveis por 43,6% das doações a partidos políticos em 2013. As oito empresas (da construção civil) que aparecem nas investigações repassaram, somadas, R$ 60,3 milhões no ano passado para PT, PSDB, PMDB, PSB, DEM, PSD e PP. Sem querer acusar ninguém nesse momento, Argolo insinua parecer ser "evidentes" eventuais ligações de parlamentares "graúdos" no esquema que teria "lavado" cerca de R$ 10 bilhões da Petrobras através de Youssef e do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa. Na casa de Leão Argôlo conta que conheceu Youssef na casa do deputado João Leão (PP) em Brasília, logo depois de assumir seu primeiro mandato de deputado federal, no início de 2011. "A bancada do PP estava promovendo um jantar para os novos deputados (Argôlo se elegeu pelo PP). Marcamos no apartamento de Leão para de lá ir ao local do jantar. Youssef estava lá, junto com os outros parlamentares do partido como o (Mário) Negromonte", disse. O doleiro puxou conversa. "Contou que tinha interesse em investir na Bahia, pois já possuía um empreendimento hoteleiro aqui". Reencontrou o doleiro na confraternização de final do ano do PP. "Disse a ele que o município de Alagoinhas seria um bom local para abrir um hotel, pois a região é um polo da fabricação de bebidas". A relação entre os dois prosseguiu com a venda do terreno em Camaçari. O deputado negou qualquer sociedade com Youssef. "Acho que ele teria razões para manter relações com outros deputados, com mais poder politicamente. Eu nunca indiquei ninguém em ministério. Qual interesse que ele teria em mim?", indaga. Aos 34 anos, o mais jovem deputado federal da bancada baiana tem recebido a solidariedade dos amigos. "Devo satisfação ao meu eleitor, que está sofrendo vendo meu nome nessa situação. E é em nome dele, dos amigos e de minha família que vou até o fim para provar minha inocência. Não existe processo jurídico contra mim. A PF gravou as conversas na Operação Lava-Jato de vários deputados. Pegaram o mais frágil para boi de piranha", repetiu. (Foto: Divulgação)
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