Correio A febre Chikungunya não está dando descanso a Feira de Santana, no Centro-Norte do estado. Ontem, a Secretaria da Saúde do município informou que já são 33 casos confirmados da doença: há 19 novos, além dos 14 que já haviam sido divulgados na semana passada. Além disso, 562 suspeitas estão sendo investigadas.
Os novos casos foram constatados por critério clínico ? enquanto os anteriores comprovados por exames laboratoriais. No total, houve 606 notificações de Chikungunya na cidade ? mas 11 casos foram descartados. No entanto, nem o Ministério da Saúde nem a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) confirmaram os novos casos, porque as ocorrências não foram atestadas por exames médicos. Para os órgãos, o número da Secretaria da Saúde de Feira é ?muito alto?. É possível, inclusive, que nem todos casos sejam realmente Chikungunya ? pode ser dengue ou algum outro tipo de virose. Hoje, o Ministério e a Sesab divulgam um novo boletim com os números de casos registrados no estado e no resto do país.
Epidemia Embora o Ministério da Saúde não confirme os novos registros, o órgão considera que Feira de Santana vive uma epidemia de Chikungunya ? quando várias pessoas, em uma mesma zona geográfica, adquirem uma doença ao mesmo tempo. Na semana passada, o ministro Arthur Chioro não descartou a possibilidade de uma epidemia no país. Contudo, de acordo com a assessoria do Ministério, não há epidemia nem no Brasil, nem na Bahia ? apenas em Feira de Santana e no município de Oiapoque, no Amapá, onde dois casos foram confirmados e mais de 120 suspeitas foram notificadas.
Sem exame A coordenadora de Vigilância Sanitária da cidade, Francisca Oliveira, explica que a comprovação foi feita por meio de sintomas apresentados pelos pacientes. ?Foi por critério clínico, porque são pacientes com sintomatologia compatíveis com outros pacientes que tenham feito o teste?, disse.
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Mas, de acordo com ela, não dá para aplicar o mesmo método a todos os outros 562 casos suspeitos. ?Tem um período que a pessoa apresenta febre ou dor muscular e isso ainda não é característico só da Chikungunya. Ou a pessoa tem os sintomas, mas não mora na área onde sabemos que tem a doença?. Apesar de o número de casos ter duplicado, Francisca diz que não há motivo para alarme. ?A gente já esperava (o resultado), porque a Chikungunya tem esse número exagerado de casos, mas com letalidade zero?, afirma. Entre os novos pacientes com a doença três estão internados em hospitais da cidade, que não foram informados pela secretaria. ?O tratamento é ambulatorial em quase todos os casos. Esses três foram internados porque estavam sentindo algumas outras coisas além da dor, mas passam bem?, explica a coordenadora, sem entrar em detalhes sobre o quadro de saúde dos pacientes. Segundo o boletim divulgado pela secretaria, a maior parte dos moradores que adoeceram tem idades entre 35 e 49 anos ? são 172 casos, o que corresponde a 28,8% do total. Depois, vem a faixa etária de 20 a 34 anos, com 148 ocorrências (28,38%), e o grupo com idades entre 50 a 64 anos, com 104 registros (17,16%). Além disso, as mulheres são a maioria: 63,69% dos casos. Até agora, 42 localidades de Feira de Santana já notificaram suspeitas de Chikungunya. Embora o bairro do George Américo ainda tenha o maior número de notificações, com 344 casos, os doentes nos bairros vizinhos aumentaram: foram 82 no Campo Limpo e 15 no Sobradinho. Já o povoado de Rio do Peixe, que fica no distrito de Jaguara, teve 31. Essa é a única localidade afastada do George Américo: o motivo, segundo Francisca, seria a grande existência de criadouros do mosquito Aedes aegypti, que transmite a Chikungunya e a dengue. Agentes de endemias têm visitado as casas de moradores para fazer trabalhos ?focais?, ?perifocais? e de conscientização dos moradores para que evitem deixar água parada e guardem o lixo em locais adequados, segundo Francisca. ?Trabalho focal é quando você cuida do tanque, por exemplo. O perifocal é um trabalho de prevenção de um domicílio a outro?, disse.
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