Quinta, 09 de Julho de 2026 20:28
(71) 99663.6360
Acervo de notícias Braskem

Braskem adia investimento de R$ 200 milhões em Camaçari

Presidente da companhia baiana, Carlos Fadigas, anunciou que em 2014 a Braskem registrou um lucro líquido de R$ 726 milhões

13/02/2015 09h19
Por: Redação

Correio

A Petrobras retomou, no início desta semana, as negociações com a Braskem para a renovação do contrato de fornecimento de nafta, que expira no próximo dia 28, informou, nesta quinta-feira (12), o presidente da companhia baiana, Carlos Fadigas.

O produto é a principal matéria-prima da indústria petroquímica e a indefinição em relação à renovação do contrato impede a Braskem de iniciar novos investimentos no Brasil. Um deles é a joint venture com a Styrolution, que prevê a construção de uma fábrica para produzir o ABS, material utilizado na produção de eletroeletrônicos e na indústria automotiva, com investimento previsto de R$ 200 milhões.

Diante das mudanças no comando da estatal - que há uma semana está sob a presidência de Aldemir Bendine e tem  cinco novos diretores - Fadigas acredita que o caminho natural será uma nova prorrogação do contrato por seis meses, antes de uma solução definitiva.

?A Braskem já começou a conversar com a nova administração. Eu disse, no início da semana, que estávamos sem interlocutor, mas o diálogo já começou?, disse. Apesar disso,  o presidente da Braskem considera o tempo disponível insuficiente para um acordo definitivo.

?Eu entendo que sentar na cadeira de diretor de uma empresa como a Petrobras requer um tempo para se ambientar. Não seria nem justo pedir uma solução de longo prazo?, afirmou durante a apresentação dos resultados da Braskem em 2014, ressaltando que o contrato de nafta é um importante foco de preocupações da empresa.

?O foco é evitar que a gente fique sem contrato após essa data. Seria muito ruim para a Braskem e para a indústria brasileira?, avaliou. Segundo ele, a Braskem utiliza por ano 10 milhões de toneladas de nafta, sendo sete milhões fornecidos pela Petrobras e outros 3 milhões de toneladas importados da Argentina.

?A quantidade é a mesma há 15  anos, quando a Petrobras era exportadora de gasolina e nafta, que são produtos muito parecidos. Se hoje ela importa, não é por conta da nafta que nos fornece?, argumenta. Fadigas disse que a Braskem negocia uma redução no preço que é cobrado pela petroleira. Pelo acordo, firmado em 2009, a empresa paga R$ 9 bilhões por ano pelas 7 milhões de toneladas de nafta.

?O custo de importação não pertence à indústria petroquímica e, ainda que pertencesse, não teríamos condições de arcar com eles diante dos números recentes?, afirmou. Em 2014, as unidades da Braskem no Brasil registraram uma taxa de operação de 86% - quatro pontos percentuais menor que no ano anterior ? enquanto o país enfrenta um aumento da presença de produtos químicos importados.

Enquanto não se chegar a uma solução definitiva para o problema, Fadigas acredita que é inviável que a petroquímica assine um contrato de longo prazo, 15 anos, com a europeia Styrolution, em que a empresa brasileira se compromete a fornecer matéria-prima para a produção do ABS.

?O contrato com a nossa parceira para este projeto na Bahia está em stand-by e o mesmo se aplica ao projeto que temos no Rio Grande do Sul, com a Sinthos. No momento em que a gente tem a expectativa de um crescimento baixo do PIB (Produto Interno Bruto), que o país está precisando de investimentos, temos que tomar uma decisão como esta. As análises continuam, mas não podemos definir investimentos?, explica.

Na mesma coletiva, Fadigas anunciou que em 2014 a Braskem registrou um lucro líquido de  R$ 726 milhões. O Ebitda, que é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, fechou em R$ 5,6 bilhões, número que representou uma alta de 8% em relação a 2013.

?O ano de 2014 foi positivo porque nós trabalhamos muito para contornar desafios?, disse, ressaltando que, no ano passado, o setor industrial brasileiro como um todo encolheu 3,2% e o conjunto das indústrias químicas registrou déficit de US$ 109 bilhões.

(Foto:Reprodução) 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.