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Estação de Tratamento deixa rio em Mata de São João agonizando

Situada em frente à Rua da Paz, a Estação tem tirado o sossego das famílias que são obrigadas a conviverem com o forte mau cheiro e a presença constante de pernilongos.

03/03/2015 09h03 Atualizada há 10 anos atrás
Por: Redação Fonte: Redação
Estação de Tratamento deixa rio em Mata de São João agonizando
“A gente brincava e tomava banho aqui, depois desse ‘pinicão’ não existe mais nada”, se emociona Sr. Antônio Barbosa, nativo da região há mais de 30 anos, ao descrever a situação do rio Jacuípe, no trecho que corta o município de Mata de São João.

Para aumentar ainda mais a polêmica, o que deveria ser uma solução para contribuir com a preservação do meio ambiente tem se tornado um dos maiores problemas da comunidade. A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), situada em frente à Rua da Paz, que deveria devolver ao rio os resíduos dos esgotos domésticos tratados adequadamente, tem tirado o sossego das famílias que são obrigadas a conviverem com o forte mau cheiro e a presença constante de pernilongos que incomodam e segundo alguns dos moradores até deixam as crianças doentes.

Inconformados com a situação que enfrentam desde que a Estação foi instalada no município, os moradores não aguentaram e foram às ruas protestar no dia 02 de fevereiro, para que os órgãos competentes resolvam de uma só vez, a difícil rotina de conviver com a fedentina e as constantes picadas dos mosquitos.“Não temos mais como conviver com esse fedor, tem que fechar a casa 5h (tarde) por causa da quantidade de muriçocas e até agora ninguém resolve nada”, reclama o morador Carlos Eduardo Neres.

nullMoradores da Rua Paz, Mauricio e Carlos falam sobre a ETE. (Foto: Agência Mais Região)

Para o biólogo, Marcos Vinícius Carvalho, que acompanhou a visita da nossa reportagem à ETE, o sistema de decantação foi construído nos moldes corretos, no entanto existe alguma falha no processo e quem está sofrendo as consequências é o rio Jacuípe, uma Área de Proteção Permanente (APP). “Verificamos uma concentração muito grande de algas, a lagoa sofre com a eutrofização [alto índice de nutriente e aumento excessivo de algas], inclusive verificamos isso com a morte de peixes”, afirma.

nullBiólogo, Marcos Vinícius Carvalho. (Foto: Agência Mais Região)

Ainda de acordo com Carvalho, “os agentes poluentes continuam [mesmo após os resíduos passarem pela Estação de Tratamento] e provavelmente estão sendo desaguados no rio Jacuípe, e além de contaminar a água pode atrair vetores de doenças diversas.”

Para atender aos critérios das leis ambientais, seria necessário aplicar as substâncias ideais para diminuir os agentes poluentes, ou seja, uma estabilização de materiais, uma espécie de aeração para as bactérias fazerem a decomposição de matéria orgânica e não favorecer o acúmulo delas.

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