Na primeira tenda ao lado Galpão 6 da Central de Abastecimento da Bahia (Ceasa), em Simões Filho, Rosemeire Santos, dona do restaurante que funciona no local, corria contra o tempo para deixar tudo preparado para o almoço. Mas pouco antes das 11h, ela foi surpreendida por uma explosão, que arremessou pedaços de caixote e frutas no galpão.
O estrondo ocorreu na Lever Distribuidora de Alimentos, empresa que funciona em um boxe no fundo do restaurante de Rosemeire. O impacto atingiu a estrutura do galpão e de ao menos três pequenos restaurantes próximos. Oito pessoas foram socorridas para o Hospital Municipal de Simões Filho pelo Samu ? todas com escoriações leves. As vítimas do acidente tiveram alta médica ainda ontem. Comerciantes do local desconfiam que a causa da explosão tenha sido o uso indevido de carbureto ? substância que acelera a maturação das frutas. A empresa nega que utiliza o produto. ?Depois do barulho, sentimos um cheiro forte de carbureto?, contou Joilson Santos, vendedor da também atingida Bortolon Agro Comercial. ?Esse aqui é meu único ganha-pão. Perdi freezer, fogão, mesas, cadeiras. Até a pia ficou destruída?, contou Rosemeire. Na Lever, o estrago também foi grande: além dos produtos armazenados ? a empresa não soube estimar quanto ?, oito escritórios que funcionavam atrás da parede atingida foram danificados. O teto da área administrativa ficou parcialmente destruído e, parte da mobília e equipamentos de escritório danificada. Eugênio Burgos, superintendente da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela Ceasa, explicou que as investigações preliminares apontam o carbureto como possível causa da explosão. ?Provavelmente foi a combustão do carbureto, que estava armazenado próximo a um ar-condicionado. A água que pingava do aparelho entrou na caixa de PVC onde estava a substância e houve a explosão?, disse. Burgos disse ainda que não há determinação do Ministério da Agricultura que proíba o uso do composto ? uma reunião será agendada com os permissionários para discutir o uso da substância. De acordo com o representante da Lever, Agnaldo Nascimento, o local passou por reforma há três meses e não haviam irregularidades nas instalações da empresa. ?Usamos plásticos para abafar os mamões e é isso que acelera a maturação. Esse método é utilizado há 20 anos e não tem nada contra as normas?, relatou o representante da empresa. O perito José Roberto, do Departamento de Polícia Técnica, foi o responsável pela vistoria no local. Ele informou que a causa da explosão ainda não está clara, mas que as amostras de material coletadas na cena da explosão serão analisadas em laboratório e um laudo deverá ser liberado em até 10 dias úteis. ?Me parece que a explosão foi causada por algum tipo de gás, mas nós não conseguimos identificar o que poderia ter causado esse fato?, disse o perito. (Foto:Reprodução)