Ig Diante do que afirmam ser a maior crise enfrentada pela presidente Dilma Rousseff, circula-se nos bastidores que a movimentação na capital federal anda a todo vapor, tanto na defesa de estratégias para assegurar recursos do governo federal, como para realizar articulações de grupos partidários que buscam se dissociar da imagem fragilizada que tem carimbado as alianças com a bancada governista e os envolvidos na Operação Lava Jato. Quem também esteve no Congresso foi o prefeito ACM Neto (DEM), após cancelar sua agenda na capital baiana. Ele chegou de viagem na noite de ontem, por volta de 20h, após um dia de trânsito entre o Congresso e o Planalto. A justificativa para a viagem, que não estava prevista, segundo a assessoria de comunicação do alcaide, foi uma visita ao Ministério das Cidades, chefiado por Gilberto Kassab (PSD), para saber em que pé anda o recurso viabilizado para o projeto do BRT em Salvador. Ainda conforme a assessoria do Democrata, ele também foi ficar a par dos recursos para a área de Saúde. Neto foi deputado federal pelo extinto PFL, e teve destacável liderança na oposição, sendo um dos sub-relatores da CPI dos Correios. Fontes ligadas ao prefeito afirmam que a viagem também teve outras motivações, entre elas, articulações com aliados no Congresso para fortalecer a oposição à presidente Dilma nesse momento de crise. E, dizem, evitar que os escândalos de corrupção na Petrobras afetem seus aliados, o procurador-geral da República ter aberto inquérito contra mais 54 pessoas citadas na Operação Lava Jato. Na noite da última quarta-feira o prefeito participou de uma reunião convocada de última hora pela Direção Nacional do DEM para discutir o que seria a rebelião da base aliada da presidente, a exemplo do PMDB, que estaria cansado de ?ficar com o ônus de um governo que não ouve a legenda?, conforme informou à Tribuna o peemedebista Geddel Vieira Lima. A assessoria de Neto confirmou seus encontros com políticos. Nos corredores do Palácio Thomé de Souza, afirma-se que sua viagem repentina era para ?prospectar?. Além da visita a Kassab, que estaria tentando ter Neto como correligionário no PL, partido que tenta criar, o prefeito de Salvador também esteve com o deputado federal eleito pela Bahia Jutahy Magalhães (PSBD), recém-empossado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. No Facebook, o tucano postou foto com o demista. ?Recebendo no meu gabinete em Brasília, o prefeito ACM Neto, onde tratamos de questões de interesse da nossa cidade do Salvador?. Chegou ao fim ? Diante do cenário turbulento, a rebelião de peemedebistas continua forte depois das especulações de que os nomes do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e Renan Calheiros (PMDB-AL) foram citados na Operação. A bancada do PMDB não teria atendido às tentativas do PT de apaziguar os ânimos com demonstrações de simpatia à legenda, que tem como vice-presidente Michel Temer. Para o presidente do PMDB na Bahia, Geddel Vieira Lima, ?o sentimento que cresce no partido é que esta aliança chegou ao fim?, Segundo ele, os correligionários no Congresso têm consciência de que Temer é vice-presidente e mesmo com um possível rompimento, continuará exercendo sua função em nome da boa governabilidade. Ainda conforme Geddel, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB) passou a semana em Brasília conversando com os colegas de bancada para concluir os preparativos do congresso do partido que deve ser realizado para ouvir todos os membros. ?A voz que prevalece é de rejeição ao governo. O PMDB não pode passar a vida toda com a culpa do que não é dele?, alfinetou.
(Foto:Arquivo Mais Região)