
Os protestos realizados neste domingo (15) contra o governo da presidente Dilma Rousseff e o PT reuniram quase 1 milhão de pessoas nos 26 Estados do país e no Distrito Federal. As manifestações ocorreram em pelo menos 152 municípios brasileiros ?incluindo todas as capitais exceto Palmas (TO) ? e tiveram um perfil pacífico, em geral, sem registro de confrontos violentos entre opositores e partidários do governo. O maior ato ocorreu na avenida Paulista, em São Paulo, que foi tomada por 210 mil pessoas ao longo do dia, apesar da chuva intermitente que atingiu a capital. O ápice do protesto convocado por cinco grupos diferentes reuniu 188 mil manifestantes simultaneamente às 16h, segundo o
Datafolha. A Polícia Militar calculou em 1 milhão o número de participantes. Em nota, a corporação diz que levou em conta fotografias aéreas e a extensão da avenida Paulista e de outras ruas. O discurso hegemônico da manifestação pedia o impeachment da presidente Dilma e acusava o PT de ser responsável pelo escândalo de corrupção na Petrobras. Cartazes fazendo menção à Operação Lava Jato ?que apura o desvio de bilhões de reais da estatal e o repasse de suborno a membros do PT, PMDB, PP, PSB, PSDB E PTB? eram vistos em torno dos carros de som dos grupos MBL (Movimento Brasil Livre), Vem pra Rua, Revoltados Online e do partido Solidariedade. O movimento SOS Forças Armadas também foi para a avenida com três carros de som e muitas faixas que pediam a intervenção militar. "Otário pede impeachment, patriota exige intervenção constitucional", dizia um dos cartazes. Acostumados a uma relação tensa com os manifestantes desde os protestos de 2013, os policiais militares foram aplaudidos desta vez. Alguns foram requisitados para tirar fotos ao lado dos manifestantes. Em episódios isolados, 20 integrantes do grupo nacionalista "carecas do subúrbio" foram detidos com explosivos após um casal ser atingido por um rojão. Ninguém se feriu. Outras duas pessoas foram presas por furto e roubo de celular, segundo a Polícia Militar. No Rio de Janeiro, o maior ato ocorreu no final da manhã, na orla de Copacabana, onde mais de 15 mil manifestantes fecharam a av. Atlântica segundo oficiais da Polícia Militar. No fim do dia, o comando da PM se recusou a fazer uma estimativa oficial. Os organizadores disseram ter reunido ao menos 50 mil pessoas. Em Brasília, 40 mil pessoas se reuniram na Esplanada dos Ministérios desde a manhã, em frente ao Congresso Nacional, segundo a PM. No fim do dia, a polícia lançou dezenas de bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes que permanecem protestando. Segundo a PM, os policiais foram agredidos após impedirem que manifestantes entrassem no prédio do Congresso. Pelo menos uma pessoa ficou ferida. Ao menos três pessoas foram detidas. Houve depredação de cestos de lixo nos ministérios da Integração Nacional e da Agricultura.
