Agência Brasil O otimismo é nítido nos dois lados que disputam a liderança do PMDB na Câmara na tarde de hoje (17). O atual líder, Leonardo Picciani (RJ), aproveitou as poucas horas antes da eleição para se reunir com correligionários. Ele considera a sua recondução como certa. ?Temos novos apoiamentos e confiança que iremos obter uma vitória expressiva mais tarde, com maioria consolidada. Acreditamos que teremos acima de 40 votos, o que vai deixar nítida a posição da bancada no rumo da busca da unidade, da independência e que tenha como prioridades os seus temas?, afirmou. O parlamentar do Estado do Rio manteve sua plataforma de campanha em Brasília conversando com aliados e insatisfeitos com seu trabalho. A favor de Picciani, contam o apoio do governo e a ampliação da bancada na Câmara com o retorno de titulares que ocupavam cargos no Executivo e foram exonerados para participar das eleições de hoje à tarde. É o caso do ex-ministro da Saúde, Marcelo Castro, que foi indicado para a pasta por Picciani nas negociações com o Planalto na última reforma ministerial. A volta de peemedebistas à Câmara é um dos principais alvos de crítica de deputados insatisfeitos com Picciani e sua relação próxima com o Planalto. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apoiador público do concorrente à vaga, Hugo Motta (PB), tem encabeçado alguns dos ataques à estratégia que, segundo ele, é um crescimento ?artificial? da bancada, mas Picciani tem outra análise sobre o cenário e nega que essa movimentação foi motivada por qualquer tipo de preocupação com o resultado numérico da eleição de hoje. ?Foi uma decisão do ministro [da Saúde] que é o único parlamentar do PMDB no seu estado. Mesmo os outros titulares que reassumiram, este é um evento partidário que só ocorre uma vez por ano, portanto, é natural que os titulares desejem exercer essa titularidade neste momento. Isto demonstra a confiança que esses parlamentares têm no meu trabalho?, disse. Reflexos A escolha do líder do PMDB é uma das votações mais esperadas neste início de ano em função dos reflexos que o nome terá sobre as decisões na Câmara. O partido é da base de apoio ao governo, mas os parlamentares que querem a saída de Picciani (RJ) defendem também uma ruptura dessa aliança e alguns deles são publicamente favoráveis ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O concorrente de Picciani, Hugo Motta (PB), lembra que não votou pelo afastamento da petista, mas já declarou que, se eleito, vai seguir o que a maioria da bancada definir. Motta se lançou em viagens aos estados para pedir apoio desde que oficializou sua candidatura no fim de janeiro. A agenda fora de Brasília foi cumprida até a última segunda-feira, quando os esforços foram concentrados em seu gabinete, na capital, para ampliar a margem de diferença sobre Picciani. Assessores de Motta apostam em 39 votos garantidos, mas o parlamentar ainda não se pronunciou hoje. Cunha, que admitiu ter ligado para correligionários pedindo apoio para o seu candidato, chegou pouco depois das 9h30 à Câmara. Estava confiante. Questionado por jornalistas sobre o resultado da eleição de hoje à tarde, limitou-se a devolver com outra pergunta: ?Minha cara é de quem está confiante ou de quem não está confiante??, disse, sorrindo. O vencedor precisa da metade mais um dos votos de uma bancada de 68 parlamentares votantes. A reunião, marcada pelo partido para às 15h, será aberta até o início da deliberação. Nesta fase, os dois candidatos vão apresentar suas propostas e estratégias. O PMDB decidiu fechar as portas no momento da votação que será secreta e por cédula em papel. Lideranças de outros partidos Na liderança do Solidariedade (SD), quem assume os trabalhos no lugar de Fernando Francischini (PR) é o cearense Genecias Noronha, de 51 anos, presidente do partido no Ceará. O parlamentar, que está em seu segundo mandato de deputado federal, foi protagonista, no final do ano passado, do impasse que acabou anulando a aprovação, por 11 a 9, no Conselho de Ética, do parecer pela continuidade da representação contra o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Foi Noronha quem pediu vistas do relatório e teve a demanda negada, o que motivou um recurso apresentado por Carlos Marun (PMDB-MS), acatado pelo vice-presidente da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA). Genecias Noronha foi prefeito de Parambu (CE) entre 2005 a 2010. O nome do novo líder estava entre três cotados pelo partido, incluindo Aureo Lidio Ribeiro (RJ) e Zé Silva (MG). Assessores da legenda garantem que não houve uma disputa acirrada, mas ?um certo acordo? que precisava ser oficializado. A escolha de Noronha seguiu por negociação da bancada na Câmara, sem a necessidade de votação. O PPS, que também realizou eleições hoje, reconduziu o parlamentar Rubens Bueno (PR). O PP, que, assim como o PMDB faz parte da base de sustentação do governo, marcou reunião para o início da tarde, mas adiou a votação do novo líder para as 17h. Na disputa pela vaga, hoje é ocupada por Eduardo da Fonte (PP-PE), estão Cacá Leão (BA), Esperidião Amim (SC) e o ex-líder do partido e ex-ministro das Cidades, deputado Agnaldo Ribeiro (PB). Eduardo da Fonte queria a recondução, mas decidiu hoje ceder a candidatura para que Cacá Leão entrasse na disputa. Até isso ocorrer, Ribeiro era o mais cotado entre parlamentares da legenda. O candidato ocupou a vaga de primeiro vice-presidente da principal comissão da Casa ? a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ribeiro também é alvo das investigações da Operação Lava Jato. Ele foi citado, em depoimento do doleiro Alberto Youssef, como um dos parlamentares do PP que teriam recebido propina cobrada de fornecedores da Petrobras. (Foto: Reprodução)
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