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Geral Lorena Dias

A gente precisa aprender a cair

Lorena Dias é jornalista e blogueira. É repórter da TV Aratu e escreve para o Mais Região às quartas, a cada duas semanas.

24/05/2017 23h56
Por: Redação Fonte: Lorena Dias
Na luta, antes de aprender como atacar, é preciso saber como se defender. Aprender a melhor maneira de cair para se levantar de forma ágil e, de preferência, sem se machucar. Nunca fiz artes marciais, mas aprendi algumas lições ao observar alguns praticantes.

Recentemente ao acompanhar uma aula de jiu jitsu, pude observar o professor ("sensei") passando grande parte do tempo ensinando aos alunos diferentes técnicas de como se jogar no chão, qual a posição certa de colocar o braço, os movimentos que deveriam ser feitos com as pernas, para só depois dividi-los em duplas para praticar os golpes.

Para os lutadores, atletas, paraquedistas e dublês, saber a maneira certa de cair é vital. Porque as quedas fazem parte de todo o processo e elas podem ter consequências graves. Mas as dicas desses profissionais podem ser aplicadas também na arte da vida.

A primeira lição é aceitar a queda. A rigidez aumenta o impacto e as consequências. Por isso, segundo especialistas, é preciso aceitar que está caindo e ir junto. A flexibilidade e a fluidez são essenciais para distribuir a energia e absorver a queda na maior área possível, o que reduz as chances de lesões. Dependendo da queda, também é preciso entender o momento e a forma certa de se levantar. Nem sempre dá pra fazer sozinho.

Mas para que as dicas dêem certo, é necessário esquecer a vergonha e o medo. Dizem que as crianças costumam se machucar menos, mesmo levando mais quedas que os adultos, porque elas se permitem cair sem o medo e a vergonha, de maneira mais leve, que resultam apenas em leves arranhões.

Nunca fiz artes marciais, mas já levei algumas rasteiras da vida. Somente após algumas quedas que é possível aprender a se reerguer e seguir na luta por nossos sonhos e objetivos. Se as quedas são inevitáveis, resta-nos apenas aprender a cair com leveza, sem vergonha de levantar e seguir em frente, mesmo com os arranhões.
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