Ter a camisa 10 estampada nas costas dá prestígio a um jogador de futebol. Normalmente, essa moral é dada ao maestro ou ao craque do time. Só que, junto com o glamour, vêm peso e responsabilidade. Na dupla Ba-Vi, os dois eleitos para a atual temporada são Zé Rafael e Neilton, que coincidentemente, não vivem bom momento.
A má fase, no entanto, não é por omissão. De fato, ambos assumem o papel de protagonistas em suas respectivas equipes. Pela Série A, nenhum outro jogador rubro-negro finalizou mais do que Neilton, autor de 32 tentativas. A questão é que somente 12 delas tiveram o direcionamento do gol.
Zé Rafael também se destaca no quesito como líder do elenco tricolor em finalizações - foram 63. Ele é o terceiro colocado no ranking geral, atrás somente de Lucas Paquetá, do Flamengo, e Ricardo Oliveira, do Atlético-MG, com 64 e 65, respectivamente.
O problema, no entanto, é que os camisas 10 de Bahia e Vitória vivem um longo jejum de gols. A última vez que Zé marcou foi no dia 9 de agosto, no empate por 1x1 com o Cerro, do Uruguai, pela Copa Sul-Americana. Praticamente o mesmo período de seca de Neilton, que balançou a rede pela última vez no 1x1 com o Cruzeiro, dia 5 de agosto, no Barradão.
Antes tidos como jogadores mais queridos pela torcida, ambos têm convivido com críticas e, recentemente, foram vaiados no estádio. Com Neilton, aconteceu diante de Vasco e Botafogo no Barradão, ao ser substituído. No caso de Zé, o episódio correu no empate com o Palmeiras por 1x1, jogo em que ele teve má atuação na Fonte.
Ainda que o momento técnico deles não seja o melhor, a confiança em dar a volta por cima continua. “É o nosso criador, organizador. Em função dele você forma sua equipe. Você coloca pelos lados jogadores que sejam velozes, tem que pisar na área, e Neilton vem por trás. Não somente ele, alguns jogadores não rendem o suficiente e acaba pesando o contexto. O Botafogo veio com uma proposta bem clara, que era jogar no contra-ataque na base da velocidade. Isso foi fatal para nossa equipe. Foi um contexto todo, não somente Neilton”, analisou Carpegiani após a derrota por 4x3 para o time carioca, no domingo, defendendo seu camisa 10 das críticas.
“Se as vaias foram para mim, vou fazer o quê? Posso fazer nada. Estou dando o meu melhor. Senti o cansaço. A última substituição era para eu sair. Mas Elton sentiu a questão muscular e tive que continuar em campo. Não sou de ferro. Canso também. Vou continuar trabalhando, críticas são assim. Daqui a pouco vou voltar a fazer gol, decidir jogos e a torcida vai aplaudir”, disse o meia Zé Rafael após as vaias diante do Palmeiras, no dia 16. Devido ao cansaço, ele acabou poupado do jogo contra o Vasco, segunda-feira.
Os números gerais dos dois camisas 10 na temporada demonstram a importância que cada um tem para seu time. Zé esteve em campo em 55 das 60 partidas do Bahia e Neilton participou de 47 das 55 partidas do Leão em 2018. Na Série A, cada um esteve em campo em 23 das 26 rodadas até então.
Zé Rafael é o artilheiro tricolor na temporada, com 11 gols, mas apenas dois deles no Brasileirão. Assim como Neilton é no rubro-negro, onde balançou as redes 19 vezes, cinco delas pelo campeonato nacional.
Desempenho sem eles
Na Série A, o Vitória não perdeu nenhum dos três jogos em que Neilton ficou de fora. Empate por 2x2 com Flamengo em casa e 0x0 com o Fluminense, no Maracanã, além do triunfo por 1x0 sobre o Paraná, no Barradão. Já o Bahia sentiu mais a ausência de Zé, principalmente nas derrotas fora para Atlético-PR (2x0) e Vasco (2x1), mas venceu o Corinthians por 1x0 na Fonte Nova.
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