A família Brittes, acusada de ter envolvimento na morte do jogador Daniel Corrêia Freitas, deve prestar novos depoimentos nesta segunda-feira (5). O empresário Edison Brittes Júnioer, a esposa dele, Cristiana e a filha, Allana, serão ouvidos pela Polícia Civil de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
A maior expectativa é pelo depoimento de Cristiana, que deve contar detalhes do que aconteceu antes do crime. O marido dela, Edison, disse que matou Daniel após flagrar o jogador estava tentando estuprar a esposa.
Edison, Cristiana e Allana estão presos temporariamente, e a polícia procura outros três suspeitos de participação no crime. Dois deles, de acordo com o advogado Robson Domacoski, estão na região de Curitiba à disposição da polícia.
Ficha suja
Edison já teve envolvimento em outros crimes - todos menos escabrosos do que a morte do atleta, cujo corpo foi achado com sinais de espancamento e facadas, além do pênis decepado, na Região Metropolitana de Curitiba. Conhecido como Juninho, o empresário já foi denunciado em 2015 pelo Ministério Público por receptação dolosa de produto roubado, além de porte ilegal de arma e injúria.
Segundo reportagem do Uol, a denúncia contra o empresário no caso da receptação foi assinada em junho deste ano pela promotora Mônica Baggio. Na ocasião do crime, ele foi conduzido à delegacia pela posse de um Hyundai Sonata que segundo a polícia ele sabia ter sido roubado. O chassi do carro estava alterado. O veículo tinha sido roubado no ano anterior em Porto Alegre. O advogado de Juninho, Cláudio Dalledone Junior, afirma que o cliente não sabia que o carro era roubado.
O defensor também falou do caso de porte ilegal de arma. "Ele é atirador desportivo e tem o certificado de registro emitido pelo exército brasileiro", diz. Segundo ele, o empresário é dono de uma pistola Glock 380 e tem documento para andar armado "de sua casa ao estande de tiro". Ele acabou sendo absolvido do caso, em 2016.
Já o caso de injúria, registrado em fevereiro de 2018, o advogado não soube identificar o que teria ocorrido, mas afirmou que se trata de um crime "de menor potencial ofensivo". "Ele não tem histórico criminal, nunca foi preso, não tem nenhuma condenação", afirma.
Defesa da mulher
Em um vídeo gravado antes de ser preso, o empresário afirma que cometeu o crime para defender a esposa, Cristiana, que estaria sofrendo uma tentativa de estupro por parte de Daniel. O casal e a filha Allana estão presos pelo crime.
"Se eu fiz o que eu fiz, eu quero que cada um que está assistindo pense o que você faria para manter a integridade moral da sua família e ajudar uma mulher pequena e frágil", afirma Juninho no vídeo.
Existem contradições na versão da família, contudo. O próprio Juninho telefou para a mãe de Daniel três dias após o crime para prestar solidariedade. Já Allana afirmou a amigos e parentes de Daniel que o jogador tinha deixado sua casa sem problemas. Uma testemunha que estava na festa na casa da família contou que foi ameaçada pelo empresário para inventar uma versão que o ajudasse a ser inocentado. Ela afirmou ter ouvido, durante o espancamento de Daniel, a frase "Mexeu com mulher de bandido vai morrer". A testemunha está em programa de proteção.
Prints
Mensagens de WhatsApp anexadas ao processo mostram que Daniel comentou a noite da festa com um amigo. Ele contou que tinha seguido da boate para a casa para continuar a comemoração com Allana e os demais. Depois, mandou outra mensagem dizendo que iria "comer a mãe da aniversariante" e que "o pai está junto". Dezessete minutos depois, ele fala novamente com o amigo. "Comi ela, moleque", diz, enviando uma foto ao lado da mulher, que aparenta estar dormindo - pelo menos duas fotos foram enviadas.
Daniel aparece ao lado de Cristiana, que parece estar dormindo
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