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Novos suspeitos dizem que intenção era deixar jogador nu em estrada

Eles negam ter participado do espancamento e morte do atleta

06/11/2018 11h18
Por: Redação Fonte: Correio 24h
Novos suspeitos dizem que intenção era deixar jogador nu em estrada

Dois dos três novos suspeitos do caso Daniel negam ter participado do crime e afirmam que foram ameaçados por Edison Brittes, assassino confesso do jogador de futebol. Os três foram identificados ontem, quando se apresentaram à polícia, mas ainda não foram formalmente ouvidos. David Willian Vollero da Silva, de 18 anos, e Igor King, de 19, são amigos de escola de Allana, filha de Edison. O terceiro identificado é Eduardo Henrique Ribeiro Silva, 19, primo de Cristiana, esposa do empresário. As duas mulheres também estão presas pelo crime.

A polícia acredita que o trio tem algum nível de envolvimento no crime. Eles estavam no carro que levou Daniel, no porta-malas, para o matagal onde foi achado morto. David e Igor foram convidadas por Allana para o aniversário. O advogado deles, Robson Domakoski, afirmou ao Uol que eles não participaram do espancamento do jogador e que tentaram impedir que Edison matasse Daniel, mas foram ameaçados por ele. Já Allana, ouvida novamente ontem, afirmou à polícia que os dois também tomaram parte na surra que o jogador recebeu ainda na casa. Ambos também foram identificados por uma testemunha.

Já o advogado de Eduardo, primo de Cristiana, afirmou que seu cliente bateu em Daniel, mas disse que ainda será investigado se ele teve relação direta com a morta do jogador. "O que podemos adiantar é que o Eduardo participou da agressão sim e é um dos três que estavam dentro do veículo. Se participou da execução, este é um assunto que a autoridade policial deve esclarecer”, afirmou à Tribuna do Paraná o advogado Edson Stadler.

Ideia era abandoná-lo nu na rodovia


David e Igor faziam parte do grupo que 'esticou' para celebração na casa da família Brittes depois da festa do aniversário de Allana em uma boate de Curitiba. Já era manhã de sábado quando eles escutaram muito barulho e gritos vindos do quarto de Cristiana. Os convidados então ficaram sabendo que Daniel teria tentado estuprar a mãe de Allana e ficaram indignados com a notícia, mas, segundo o advogado, não tomaram parte das agressões.

"Eles são bons meninos, estudantes sem passagem pela polícia e estão absolutamente em choque com tudo isso", diz o defensor. Ele afirma ainda que os dois tentaram evitar que as agressões continuassem. "A todo momento eles pediam calma, diziam que Daniel já tinha tido o suficiente."

Apesar disso, os dois entraram no carro de Edison, segundo o advogado. Contudo, segundo ele, a dupla nunca pensou em executar o jogador. "A primeira ideia não era matar o Daniel. A ideia era largá-lo sem roupa na rua para passar vergonha. Alguém teve a ideia de deixá-lo na BR sem roupa. Mas no meio do caminho, o celular do Daniel, que estava no banco da frente, tocou, e o Edison, o assassino, pegou o celular e viu as imagens", explica, falando das fotos em que Daniel aparece na cama com Cristiana, em que ela aparenta estar dormindo. "Aí que o Edson perdeu a cabeça e tomou outro rumo."

Os dois jovens tentaram evitar que Edison assassinasse o jogador. "Eles ficavam dizendo: 'Não faz isso, vai estragar sua vida!' Quando ele desceu do carro, o David desceu junto para tentar evitar o pior, mas foi ameaçado. O Edison disse: 'Não se meta se não vai sobrar pra vocês'. Aí eles ficaram apavorados, entraram em choque", afirma. O advogado diz que embora conhecessem Allana da escola, os jovens só ficaram mais próximos dela recentemente e não conheciam muito o pai dela.

Os clientes não viram o momento em que Daniel for morto nem a arma usada. O corpo do jogador foi achado horas depois, parcialmente degolado e com pênis decepado.

Os dois e mais Eduardo serão ouvidos na quinta-feira e podem ser presos pelo envolvimento no crime.

Depoimento da família


Na segunda, Cristiana e Allana foram ouvidas pela polícia, dando versões que confirmam a de Edison - de que o crime ocorreu após ele flagrar Daniel tentando estuprar a esposa. Essa versão é repudiada pela família da vítima.

Cristiana foi ouvida por uma hora e meia. Ela contou que foi dormir ao chegar da boate e acordou com Daniel deitado em cima dela. Ela contou que começou a gritar, muito assustada. Segundo ela, Daniel estava "apenas de cueca", "excitado" e passando a mão por ela. Ele dizia: "Calma, é o Daniel".

O marido então entrou no quarto e começou a agredir o jogador ainda ali. Ela afirmou que pediu para que ele parasse de bater em Daniel várias vezes.

Allana contou em seu depoimento que entrou no quarto com a gritaria e viu o jogador só de cueca, com o pai o segurando pelo pescoço. O pai afirmava que encontrou o atleta "na cama que ele dorme com a mulher, mãe das filhas dele". Daniel tentava falar, mas não conseguia. 

Cronologia do crime


Sexta (26):
 
Daniel chega a Curitiba. Ele vai a duas festas, inclusive o aniversário de Allana em boate
Sábado (27): A festa continua na casa da família de Allana, em São José. O crime aconteceu este dia.
O corpo foi achado neste mesmo dia em um matagal.
Segunda (29): Amigo reocnhece o corpo de Daniel
Quarta (31): Corpo de Daniel foi velado em Minas Gerais
Quinta (1): Suspeito de matar Daniel é preso e confessa crime. Mulher e filha também foram presas
Sexta (2): Perícia é feita na casa onde Daniel foi espancado

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