A população da Bahia ganhou um novo canal para denunciar casos de racismo sofridos ou testemunhados. O aplicativo Mapa do Racismo contém informações que permitem que o usuário identifique casos de racismo e faça a denúncia, de forma anônima, sobre discriminação racial, intolerância religiosa, injúria racial e racismo institucional.
A ferramenta oferece informações para auxiliar o usuário a identificar casos de racismo e possibilitará mais agilidade e segurança para o cidadão relatar os casos. A iniciativa é do Ministério Público da Bahia (MP-BA), especificamente do Grupo de Atuação Especial de Proteção dos Direitos Humanos e Combate à Discriminação (Gedhdis), coordenado pela promotora de justiça Lívia Vaz, e do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos (Caodh), coordenado pela promotora de justiça Márcia Teixeira.
Além de dar acesso a notícias sobre a temática, o novo aplicativo, lançado no dia 19, fará o mapeamento de dados georreferenciados, conforme explicou a coordenadora do Gedhdis.
"A iniciativa é pioneira no âmbito do Ministério Público brasileiro e permitirá que o MP-BA oriente a nossa atuação a partir dos dados georreferenciados, por exemplo detectando que um determinado município possui alto índice de registros de intolerância religiosa em que o MP daquela comarca poderá agir preventivamente, implantando políticas públicas para o local", disse ela.
Segundo Lívia Vaz, a denúncia do usuário vai gerar um registro do órgão com encaminhamento para um promotor de justiça com atribuição na respectiva comarca onde ocorreu o fato. "A partir disso iremos apurar e adotar as providências cabíveis", completou.
Autoestima
Para a militante do movimento negro e deputada estadual eleita Olívia Santana (PCdoB), a iniciativa, aliada aos trabalhos culturais do Novembro Negro, fortalece a autoestima e mostra que a população tem um desafio enorme pela frente.
"Essas propostas fazem com que a população negra tenha consciência do que ela é, do passado e do racismo na nossa trajetória. Vejo de forma bastante positiva, esse é o caminho. Resulta do nosso trabalho e de muitos que nem estão aqui", disse.
A titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fabya Reis, classificou que o conjunto de ações é importante para todo movimento negro. "O dia 20 de novembro é extremamente importante para as lutas antirracistas. O mês ganha visibilidade no conjunto de atividades e que representa uma luta do ano inteiro de combate à intolerância religiosa e ao racismo", disse a gestora.
"Legítima"
Já o fundador do bloco afro Ilê Ayiê, Antônio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê, considera "legítima" todas as manifestações que tenham como objetivo falar sobre e combater o racismo e ressalta que as atividades não podem ficar restritas apenas ao mês de novembro.
"Temos que trabalhar isso o ano todo. Nós ligamos a TV e não nos sentimos contemplados, assim como no parlamento e em outros locais. Nós, de escolas de bloco afro, trabalhamos com isso sempre, não só em uma data, em um mês. O racismo se combate todos os dias", disse.
Ensino Superior Inscrições para o vestibular da Uneb terminam na próxima semana
Operação Integrada Bahia terá reforço da Polícia Civil em todos os municípios durante as Eleições 2026
Mobilidade Ônibus intermunicipais, ferry boat e lanchinhas: transportes da Bahia serão gratuitos nas Eleições 2026
Grave acidente Carretas colidem na BR-101, em Alagoinhas; motorista fica preso às ferragens
Saúde Em apenas um ano, tirzepatida, do Mounjaro, chega ao 2º lugar entre os medicamentos que mais faturaram no Brasil
Combate ao crime Bahia transfere cinco líderes de facções para presídios federais de segurança máxima