Seis criminosos invadiram o terreiro de Candomblé na noite deste sábado (12), no meio da cerimônia e a transformaram em um cenário de violência, pânico e choro. Terreiro Ilê Axé Ojisé Olodumare, conhecido como Casa do Mensageiro fica localizado em Barra de Pojuca, em Camaçari.
De acordo com informações que o babalorixá Rychelmy Imbiriba contou ao Correio 24h, os bandidos entraram no templo pela porta principal, foram para o salão em que a festa estava acontecendo e deram ordem de assalto. Algumas pessoas, pouco mais de 20, conseguiram fugir para os fundos do terreno, lugar em que passa o Rio Pojuca.
Durante a ação, os bandidos ordenaram que todos deitassem no chão, o que, obviamente, não foi cumprido pelas pessoas que estavam incorporadas com os orixás. Após levar o celular dos adeptos que estavam deitados, os homens começaram a revistar os orixás e chegaram a chacoalhá-los e apontar armas em suas cabeças, em uma tentativa frustrada de fazer com que eles deitassem ao chão e acordassem.
Os xingamentos e atos para profanar a fé dos membros do terreiro foram realizados durante toda a ação criminosa.
A coronhada que o babalorixá Rychelmy recebeu foi justamente por tentar impedir a truculência dos homens contra os orixás. “Eu vi o movimento. Nós contamos seis homens, alguns encapuzados, uns sem capuz. Quando eu percebi, fui até lá fora para tentar acalmar os meus e entender o que estava acontecendo. Foi aí que eu recebi a coronhada e começou a jorrar sangue. Fui tentar dizer que não precisava de nada daquilo, que eles podiam levar o que eles quisessem, mas que não mexessem em quem tivesse com o orixá, e foi aí que eu levei a coronhada”, contou o pai de santo, contendo as lágrimas.
Na saída, os homens conseguiram levar um carro e acabaram batendo em outros veículos que estavam no local. “Eles levaram inúmeros celulares, um carro, a câmera de um fotógrafo que estava aqui que acabou levando uma coronhada e três pontos na cabeça também, e alianças das pessoas”, narrou o babalorixá.
Investigação
O caso foi registrado na Delegacia de Monte Gordo. As investigações estão em curso e o caso é tratada apenas como roubo, não como intolerância. Apesar dos membros do terreiro relatarem que uma viatura do Pelotão de Emprego Tático Operacional (Peto) foi ao local e mostrado fotos dos bandidos, a Polícia Civil afirma não ter indícios de quem são os autores da ação.
No entanto, o babalorixá Rychelmy destacou que, durante a presença dos policiais no local, foram mostradas fotos de criminosos que atuam na região e que alguns deles foram reconhecidos.
Os membros do terreiro irão registrar o caso no Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, da Sepromi, no Ministério Público da Bahia (MP-BA) e entrar em contato com a Prefeitura de Camaçari.
A Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedes) de Camaçari afirmou que soube do caso pelo CORREIO, mas que a pasta falaria com o terreiro. “Entrarei em contato colocando à disposição para recebê-los na Sedes”, informou uma representante da Sedes.
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