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Geral Agressão à mulher

'Ele jogou whisky em meu cabelo e ameaçou atear fogo', diz designer vítima de agressão

Mulher foi agredida por ex-namorado neste domingo (24) em Salvador

27/02/2019 09h58 Atualizada há 8 anos atrás
Por: Redação Fonte: Correio 24 Horas
'Ele jogou whisky em meu cabelo e ameaçou atear fogo', diz designer vítima de agressão

Mais um caso de agressão à mulher ganhou repercussão por meio das redes sociais. Desta vez, a vítima foi a designer Silvia da Cunha Pacheco, 50 anos, que denunciou os ataques sofridos pelo ex-namorado, o engenheiro mecânico Carlos Renato Barreto Fernandes da Rosa, 50, com quem vivia em união estável desde maio de 2015.

Além de divulgar o caso em seu Instagram, ela também registrou a ocorrência na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Brotas (Deam) no início da noite de domingo e, no mesmo dia, conseguiu na Justiça uma medida protetiva contra o agressor, expedida pela juíza plantonista Bárbara Correia de Araújo Bastos.

 

De acordo com a magistrada, Carlos Renato, que já foi notificado da medida no hotel onde está hospedado, no Stiep, está proibido de retornar à residência onde vivia com Silvia, no bairro da Pituba, além de ter de manter distância de 500 metros da vítima. A medida também veta qualquer tipo de contato com ela ou familiares.

Término e agressão

O casal se mudou para Salvador em dezembro de 2017, em razão de atividades profissionais de Renato, que é natural do Rio de Janeiro e morava em Brasília, onde conheceu Silvia. A vítima contou na ocorrência que o relacionamento sempre foi abusivo e que o ex-namorado era “alcoólatra e agressivo”.

Ainda segundo Silvia, ela foi expulsa de casa por 13 vezes, desde que se mudaram para Salvador, após discussões com o acusado, além de ser agredida moralmente com frequência.

Na Deam, Silvia relatou à delegada Larissa Lage de Barros que, no sábado (23), após 14 idas e vindas, decidiu terminar o relacionamento. Eles haviam combinado que, no dia seguinte, a engenheiro retornaria ao apartamento onde moravam para buscar seus pertences e resolver detalhes sobre a separação.

A briga, segundo a mulher, começou antes mesmo de se encontrarem pessoalmente, através do WhatsApp. “Ele me humilhou, me chamando de piranha e puta”, disse ela.

No mesmo dia, após a discussão por celular, por volta das 17h, Carlos Renato chegou ao apartamento da vítima à tarde e tocou a campainha. “Eu estava indo abrir, quando ele arrombou a porta”, contou Silvia. Ainda segundo ela, o acusado estava "visivelmente alterado" e começou a quebrar os objetos de decoração da residência. Quando ela tentou filmar a ação, ele teria arremessado o celular da vítima pela janela.

Neste momento, de acordo com Silvia, ela começou a gritar por socorro e foi ouvida pelos vizinhos, que chamaram a polícia. Quando percebeu a movimentação dos outros moradores, Carlos Renato jogou whisky no cabelo da vítima e ameaçou atear fogo.

“Muitos me avisaram que meu ex-namorado iria chegar ao ponto de me agredir fisicamente de novo, pois quem faz uma, duas vezes, não para por aí”, escreveu Silvia nas redes sociais.

A vítima ainda contou que foram horas em luta corporal com o agressor e que ele, além de subir em cima dela, lhe aplicou um golpe conhecido como chave de braço.

Ciúme

Após registrar as agressões na Deam de Brotas, no domingo (24), Carlos Renato foi ouvido pela delegada e afirmou que o relacionamento do casal estava em crise há um mês, por Sílvia ser ciumenta.

Em defesa, o acusado também declarou que só arrombou a porta porque a ex-namorada se recusou a abrir e ele precisava pegar seus pertences. Quanto aos objetos quebrados, Carlos Renato afirmou que “ficou com raiva e jogou eventualmente uma coisa ou outra na parede”.

O engenheiro, que confessou ter bebido duas cervejas antes do fato, além de fazer uso de medicamentos para ansiedade e depressão, disse que, apesar de ter jogado whisky no cabelo da vítima, em nenhum momento ameaçou atear fogo, já que não tinha fósforo. Ele também negou ter agredido Silvia outras vezes.

Neste domingo (24), a juíza plantonista do Tribunal de Justiça da Bahia, Bárbara Correia de Araújo Bastos, expediu medida protetiva de urgência contra Carlos Renato. Segundo ela, o instrumento terá eficácia até que as investigações do caso sejam finalizadas.

“Concedo às Medidas Protetivas o prazo de 120 (cento e vinte) dias, contados a partir da intimação do Requerido, quando, então, se terá maiores elementos para complementação, revogação ou, sendo necessária, prorrogação”, escreveu. Como justificativa, a juíza destacou que, caso contrário, “a demora na decisão pode trazer danos de difícil reparação à parte requerente”.

Na denúncia, Silvia Pacheco relatou, também, que, além do comportamento agressivo, o ex-namorado faz uso constante de bebida alcoólica, e outras substâncias que “agem diretamente no centro nervoso do cérebro, de maneira a aumentar a agressividade e suprimir os mecanismos de autocensura do indivíduo, potencializando a violência praticada”.

Homicídio culposo

Carlos Renato também responde a uma ação penal no Tribunal de Justiça do Distrito Federal por homicídio no trânsito. De acordo com o processo, em 2015, ele se envolveu em um acidente, que acabou resultando na morte de uma pedestre em Brasília.

Após o pagamento de 50 salários mínimos como fiança, a juíza decretou a liberdade provisória do acusado, que, no dia do acidente, estava embriagado. Em depoimento nos autos, ele afirmou que ingeriu três taças de vinho antes de dirigir e que acabou sendo fechado por um veículo na pista, o que resultou na morte da pedestre e no ferimento de outras vítimas, que estavam no carro que o acusado bateu.

Como ficou proibido de se ausentar do Distrito Federal sem autorização judicial, Carlos Roberto fez a solicitação de mudança para Salvador, concedida em 13 de junho de 2017.

Atualmente, o processo está no Superior Tribunal de Justiça (STJ), após recurso da defesa do engenheiro.

Na época do acidente, uma das testemunhas de defesa de Carlos Roberto foi a própria Silvia, que afirmou conhecer o réu desde que tinham 16 anos. “A gente tinha marcado de ir ao cinema, mas ele me enviou uma mensagem contando do acidente”, disse ela em depoimento à Justiça do Distrito Federal.

O caso ainda continua pendente de julgamento, o que só pode acontecer após a apreciação do recurso pelo STJ. O tribunal, no entanto, aguarda manifestação do Ministério Público Federal (MPF) para prosseguir com o caso. Além da ação penal, por causa do mesmo acidente, Carlos respondeu a ações de indenização por danos morais e materiais contra as vítimas - as pessoas do carro que teria dado uma fechada nele, que ficaram feridas.

O CORREIO tentou entrar em contato com Carlos Roberto em três números de telefone diferentes, dois com código 61 e outro com DDD 71, mas não obteve retorno. A equipe também tentou entrar em contato com o hotel onde o acusado está hospedado, mas ele não retornou às ligações.

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