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Multinacionais trazem R$ 120 bilhões em crédito para filiais no Brasil

No ano passado, montante de dinheiro que veio do exterior para ajudar empresas, conhecido como empréstimo intercompanhia

18/03/2019 08h43 Atualizada há 8 anos atrás
Por: Redação Fonte: Estadão
Multinacionais trazem R$ 120 bilhões em crédito para filiais no Brasil

As dificuldades enfrentadas pela economia brasileira fizeram com que as multinacionais tivessem de se valer, no ano passado, de um “socorro” bilionário das suas matrizes (ou das filiais de empresas do Brasil no exterior). Em 2018, o dinheiro que veio de fora para ajudar as empresas, o chamado empréstimo intercompanhia, quintuplicou: foi de US$ 6,2 bilhões, em 2017, para US$ 32,3 bilhões (R$ 123,40 bilhões).

Os dados de 2018 do Investimento Direto no País (IDP), do Banco Central, apontam que a entrada maior desses recursos no ano passado foi impulsionada pelo “socorro” às empresas, segundo analistas. Isso aconteceu, principalmente, pelas dificuldades que a indústria e o setor de serviços enfrentam, com a lenta recuperação do País e a demanda interna reprimida.

Nesse período, enquanto o empréstimo intercompanhia crescia, a participação no capital — os recursos que incluem compras, fusões ou expansão de empresas no Brasil — caiu 12,5%, indo de US$ 64 bilhões para US$ 56 bilhões em um ano. “Os investimentos estrangeiros em participação de capital das empresas são, no fim das contas, aportes em produção. Ainda que esse aumento não se efetive, o investidor faz um aporte em expansão ou fusão de uma companhia para que a produção cresça’, avalia Fábio Silveira, da consultoria Macrosector.

“A operação intercompanhia pode crescer tanto em momentos de crise quanto de bonança na economia. Antes da recessão, os juros no Brasil estavam elevados e as empresas tomaram crédito mais barato lá fora para crescer. Nos últimos anos, se percebe um movimento de entrada de recursos maior para manter o que já está instalado no País do que para novos projetos”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas (Sobeet), Luis Afonso Lima.

Ele lembra que a crise e a necessidade de reposicionamento de mercado ajudam a explicar a redução da atividade de algumas empresas estrangeiras no Brasil, com parte delas até deixando o País. Recentemente, a rede de farmácias norte-americana CVS e a varejista francesa Fnac deixaram o mercado nacional e a rede americana Walmart vendeu 80% dos seus negócios no Brasil.

Afetada pelo desaquecimento do mercado e ainda tendo de lidar com a alta ociosidade, a indústria recebeu mais de dois terços dos recursos vindos de operações intercompanhia em 2018. A indústria geralmente é o principal destino desse dinheiro, seguida pelo setor de serviços, mas o seu peso nos empréstimos era menor.

“As empresas internacionais não estão desistindo do Brasil, mas o investidor estrangeiro trabalha com um sinal amarelo”, diz o economista Mauro Rochlin, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

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