O Rio Jacuípe, que fica na cidade de Feira de Santana, a cerca de 100 km de Salvador, tem sofrido com a contaminação de nutrientes do esgoto doméstico. Entre as consequências disso está o desaparecimento de várias espécies de peixes e crustáceos do local e o surgimento de várias baronesas – planta aquática que prolifera com a poluição.
O Jacuípe faz parte da Bacia Hidrográfica do Paraguaçu. Ele tem 437 km de extensão e abastece 36 municípios baianos, o que corresponde a mais de 6 milhões de pessoas beneficiadas com a água.
Nos últimos anos, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Feira de Santana começou a monitorar, junto com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), a qualidade da água e o resultado apontou que há uma alta contaminação por esgoto doméstico, como explica a professora de Química e membro do Comitê da Bahia Hidrográfica, Hilda Talma.
"Essa alta produtividade da vegetação é um indicativo de contaminação. A gente tem monitorado essas águas desde 2017, e a gente tem visto que muitos dos parâmetros estão acima do estabelecido pela legislação. Até metais pesados, que são indicativos também de influentes industriais lançados nos corpos hídricos", disse ela.
Em um dos trechos do rio os indícios de poluição ficam mais evidentes por conta da formação de espuma – resultado da acúmulo de produtos de limpeza que são utilizados nas casas e despejados no Jacuípe.
Esses produtos são um dos fatores que contribuem para o desaparecimento das espécies. O ambientalista e chefe de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, João Dias, lista quantos dos animais não são vistos mais no rio Jacuípe.
"Já desapareceu o paitapá, que é o maior bagre, o leandrin, o moreira, a curimatá menor e alguns crustáceos, como é o caso do pitú verdadeiro, do pitú pilão, do camarão aratanha e também o caranguejo de água doce, que nós tínhamos aqui e desapareceu", enumerou.
A situação preocupa desde pescadores a quem utiliza o rio Jacuípe como forma de lazer, como pondera o diretor da Associação Náutica de Feira de Santana, Roldem Soledade.
"A diferença é notória. Inclusive a gente tem o receio na hora de utilizar as embarcações para o lazer, da gente ter o contato com essa água aqui, visto que a poluição do jeito que tá, a chance da gente uma doença de pele, uma leptospirose, dentre outras doenças é muito iminente", disse.
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