É muito comum a frase: “Esporte é saúde”. E igualmente comum é o debate sobre a veracidade dela. Vamos avaliar então se esporte realmente é saúde. Para ter um ponto de partida, vamos começar com os benefícios da prática esportiva na infância.
Primeiramente, para garantirmos a segurança e o melhor desenvolvimento das crianças que praticam alguma modalidade esportiva, é necessário respeitarmos as fases da aprendizagem motora.
A aprendizagem motora começa lá no bebê recém-nascido, que ainda possui apenas movimentos reflexos, mas como não estão ligados diretamente ao esporte, vamos deixar esse assunto para um outro texto. Algumas crianças, ao completar seus 6 ou 7 anos de idade já são inseridas em alguma escolinha, principalmente de futebol e futsal aqui no Brasil.
Isso é excelente, desde que nessa idade, a escolinha se preocupe em possibilitar à criança brincar de forma lúdica e ter um convívio social, enquanto vivencia o maior número possível de experiências motoras. Pois é nessa idade que nós temos uma maior plasticidade neural, otimizando a capacidade de aprendermos novos movimentos.
Ou seja, as crianças precisam de uma gama enorme de movimentos diferente, como saltar, correr, rolar, agachar, e por aí em diante. Além de aumentar o repertório motor, é nessa faixa etária que aprendemos a perceber o nosso corpo em relação ao meio e ao próximo.
Podemos ainda adicionar vários outros benefícios, além dos ganhos físicos, como aumento da força, da capacidade cardiorrespiratória, da coordenação motora, e melhora do tempo de reação. Estudos apontam que os jovens aprendem no esporte a ter uma maior concentração e foco, a lidar com frustações e vitórias, a respeitar uma hierarquia e a manter a calma em momentos decisivos, algumas vezes até melhorando o desempenho acadêmico.
Porém, nada é tão simples. É necessário tomar cuidado com a especialização precoce. Ela é normalmente causada pela pressão do treinador ou, na maioria das vezes, dos pais.
Podemos dizer que a especialização precoce é uma queima de etapas, na qual, o jovem atleta ao invés de ter toda a vivência de repertório motor de forma lúdica, como já falamos acima, tem um treino mecanizado, visando única e exclusivamente o desempenho esportivo.
O problema é que esta é uma armadilha enganosa, pois, nos primeiros anos, a criança sujeita a esse tipo de treinamento realmente tem desempenhos melhores do que as outras da sua idade. Porém, os estudos comprovam que a especialização precoce é diretamente ligada à um abandono da modalidade, também precoce.
Seja esse abandono por lesão, o que é muito comum, ou seja por desistência, quando o jovem simplesmente não aguenta mais viver sofrendo aquela pressão. Então, o que antes parecia promissor e a fórmula do sucesso, sempre foi, na realidade, o próprio problema.
E é por isso que eu faço um apelo a todos que têm filhos e que os possibilitam praticar alguma modalidade: vamos deixar nossos jovens aproveitarem cada fase do seu aprendizado, sem queimar etapas, sem pressão exagerada em cima deles. Dessa forma, garantimos que eles sejam felizes na pratica da modalidade, que tenham uma trilha mais longa e que para eles, esporte seja saúde!
Esse foi o primeiro de uma trilogia de textos abordando esporte e saúde. Seguindo a ordem cronológica da vida, decidi começar pela infância. Nos próximos meses, vocês poderão avaliar junto comigo se esporte é ou não saúde na adolescência e na fase adulta. Até logo!
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