Continuando a série iniciada no mês passado, vamos abordar os efeitos da prática desportiva na adolescência. Para começar, é importante entendermos o motivo de separarmos a infância da adolescência.
É na adolescência que os hormônios sexuais (a testosterona, a progesterona e o estrogênio) começam a fazer efeito. São eles os responsáveis pelas modificações no corpo dos jovens, o estirão de crescimento, o surgimento dos pelos pubianos, a mudança na voz, o aparecimento das espinhas, a primeira menstruação, o desenvolvimento dos seios, o aumento da força muscular, dentre outros fatores.
Não existe uma idade exata para adentrar na adolescência, o que há é uma faixa ideal, distinta entre meninos e meninas. Nas meninas, ela ocorre entre 10 e 14 anos de idade e é chamada de menarca. Já nos meninos, essa maturação ocorre um pouco depois, entre 13 e 15 anos e é chamada de espermarca.
Por conta das variações fisiológicas deste processo, os jovens precisam de uma readaptação no processo de propriocepção, isto é, de ter o domínio do seu próprio corpo no espaço.
É comum vermos jovens com a coordenação motora muito ruim atualmente, e a tendência é isso aumentar, pois as crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo em frente às telas e cada vez menos tempo brincando ao ar livre e fazendo exercícios físicos.
Outro fator preocupante para essa faixa etária é o sedentarismo, de acordo com o Ministério do Esporte, em 2015, 32,7% dos jovens brasileiros de 15 a 19 anos eram sedentários. Esses números são bastante expressivos e vêm aumentando ano após ano, por conta dos padrões de vida atuais e também pelo aumento das responsabilidades inerentes a essa faixa etária. Na adolescência se inicia o primeiro emprego, é o momento de focar nos estudos para passar no vestibular, entre outros fatores, que sempre colocam o exercício físico como segundo plano.
O que é uma pena e também um erro. Não são poucos os estudos que apontam o quão positiva é a prática de exercícios físicos regulares para o desempenho acadêmico. Os estudantes que praticam alguma modalidade esportiva tendem a ter desempenhos mais satisfatórios na escola.
Podemos relacionar estes resultados a uma maior oxigenação do cérebro, ao aumento da capacidade de concentração, ao maior controle do nervosismo em momentos de estresse, à melhora do raciocínio rápido e às respostas aos estímulos que são proporcionados pelo esporte.
Portanto, não há dúvida, para esta parcela dos jovens que são majoritariamente inativos, o esporte ou a atividade física regular definitivamente se traduzem em saúde! E também em melhores notas!
Muito bem, entendemos agora a importância do exercício para os jovens sedentários, mas, e aqueles indivíduos que já são ativos desde a infância? Quais são as recomendações?
Vamos lá! Lembram que eu disse que na infância a criança deve receber o maior número possível de estímulos e temos que tentar evitar ao máximo a especialização precoce? (Se não faz ideia do que estou falando, lhe aconselho a ler o texto de agosto e depois voltar aqui para seguirmos o raciocínio) Então, nessa faixa etária, a coisa muda um pouco de figura.
Muito bem, a variedade de estímulos ainda é muitíssimo bem-vinda, principalmente pelo fato das mudanças fisiológicas nesse processo de amadurecimento do indivíduo. Mas, caso esse jovem queira atuar de maneira mais séria no esporte, esse já é o momento para pensar melhor na sua especialização (Para algumas modalidades individuais, como a ginástica, essa decisão precisa ser tomada mais cedo).
Mas Leo, você diz que os estímulos devem ser variados, mas o adolescente deve se especializar, como assim? Calma, eu explico. Digamos que Leozinho, uma pessoa fictícia criada aqui apenas para exemplificar, pratique futebol, basquetebol e voleibol. Para ter um melhor rendimento em alguma modalidade, eventualmente, Leozinho deverá dedicar boa parte de seu tempo para treiná-la, por isso, especializar-se em uma modalidade apenas é uma boa ideia.
Digamos que Leozinho tenha escolhido o Basquetebol. Ele se especializou nesta modalidade, certo? Porém, dentro do basquetebol existem diferentes técnicas e posicionamentos, Leozinho, para se desenvolver e atingir um nível alto de rendimento, deverá treinar essas técnicas e posicionamentos de forma variada, caso contrário, ele será deficiente em algumas áreas da própria modalidade.
Portanto, Leozinho se especializou de forma macro, definindo apenas uma modalidade, mas manteve o seu treino bem variado em estímulos, praticando saltos, corridas, fundamentos técnicos, agachamentos e quaisquer outros movimentos necessários para o desenvolvimento do basquetebol.
Finalizando, para estes adolescentes a regra continua a mesma, Esporte é Saúde, sim! Enquanto se preserve a variedade de estímulos e se evite a especialização precoce, mas agora vista de um outro ponto de vista.
Espero que tenha gostado de ler este texto tanto quanto eu gostei de escrevê-lo. É um prazer enorme trazer conteúdo de forma descontraída e leve para vocês. Obrigado! E até o mês que vem com a parte final da Série “Esporte é Saúde?”.
Mobilidade Ônibus intermunicipais, ferry boat e lanchinhas: transportes da Bahia serão gratuitos nas Eleições 2026
Grave acidente Carretas colidem na BR-101, em Alagoinhas; motorista fica preso às ferragens
Saúde Em apenas um ano, tirzepatida, do Mounjaro, chega ao 2º lugar entre os medicamentos que mais faturaram no Brasil
Combate ao crime Bahia transfere cinco líderes de facções para presídios federais de segurança máxima
Proteção Infantil Braskem amplia mobilização de fornecedores contra exploração sexual infantil nas estradas
Tragédia na Estrada Polícia Civil identifica sete vítimas fatais de acidente com ônibus na Chapada; soldado é sepultado neste domingo