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'Não tivemos uma falta no serviço', diz comandante geral da PM

Para o coronel Anselmo Brandão, saques a lojas e bancos foram causados por 'oportunismo'

09/10/2019 15h15
Por: Redação Fonte: Correio 24 Horas
'Não tivemos uma falta no serviço', diz comandante geral da PM

O comandante da Polícia Militar da Bahia, o coronel Anselmo Brandão, afirmou, no início da tarde desta quarta-feira (9), que nenhum percentual da frota que aderiu à greve proposta por um grupo de policiais no fim da tarde de terça-feira (8).

“Não tivemos uma falta no serviço nem ontem, nem hoje. Só faltas de rotina, por atestado de doença, por exemplo. Todas as viaturas saíram. Não houve adesão a esse movimento”, garantiu, em entrevista ao CORREIO.

Segundo ele, há cerca de 40 PMs que estão na sede da Adelba, clube onde o movimento grevista tem se reunido. Esses policiais estariam fora do horário de serviço. A corporação monitora se há faltosos ou não quando os policiais se apresentam aos comandantes de cada batalhão ou companhia.

“Esses policiais (que estão no clube) estão se solidarizando com o movimento, que não é crime. Não estão aquartelados, sem sair para trabalhar”, completou. 

Ainda de acordo com o comandante, a maioria dos ataques a lojas e agências bancárias que foi registrada desde a noite de terça, em alguns bairros de Salvador, foi provocada pelo “oportunismo”. Leia também: 

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“Foi devido às fake news e à forma como o deputado (Marco Prisco, um dos líderes do movimento), de maneira irresponsável, transmitiu à sociedade. Assim, a bandidagem, ouvindo isso, começou a fazer alguns saques”, disse.

No entanto, Brandão ressaltou que a Polícia Civil investiga a situação da agência bancária da Caixa Econômica Federal do Caminho de Areia. O prédio do banco estava fechado e sem funcionários quando foi atingido por tiros.

De acordo com o comandante, uma das hipóteses da investigação é de que o atentado tenha sido cometido por alguém ligado ao movimento grevista. “A agência vazia foi para amedrontar. Temos uma força-tarefa com vários delegados olhando as cápsulas, as câmeras, para fazer perícia”.

Assim como a PM, o Corpo de Bombeiros também disse que não registrou faltas nesta quarta-feira.

Através da assessoria, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) informou que, até o momento, não pretende acionar a Justiça para que a greve seja declarada ilegal – isso porque, para a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-BA), não há paralisação.

Procurado pelo CORREIO, o Ministério da Justiça, que, em outras greves policiais no estado, liberou a ajuda de militares da Força Nacional para ajudar na segurança, disse que não recebeu nenhuma solicitação sobre o assunto. 

Conquistas dos policiais

Por ser considerada uma categoria essencial – e, justamente por isso, proibida de fazer greve, por lei – a Polícia Militar tem um grande poder de barganha, como destaca o professor Luiz Claudio Lourenço, coordenador do Laboratório de Estudos Sobre Crime e Sociedade (Lassos) da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

“Não foi à toa que o governador (Rui Costa) falou que a PM da Bahia é muito valorizada. Muitas dessas conquistas foram através dessas greves. Agora, resta saber se essa paralisação teve mesmo adesão da tropa”, pondera o pesquisador, que é professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Ufba.

A população, acredita Lourenço, não apoia as paralisações, na maioria das ocasiões. De forma geral, os moradores se sentem inseguros pela restrição de mobilidade cotidiana e tendem a ficar apreensivos, em casa.

A PM baiana já parou em outras três oportunidades: 2001, 2012 e 2014. Este ano, pelo menos dois estados brasileiros já tiveram greves ou paralisações de policiais militares – Rio Grande do Norte, cujo movimento foi encerrado no mesmo dia em que foi anunciado, e Amazonas.

Na avaliação de Lourenço, porém, a greve na Bahia não tem relação com o contexto nacional – nem com medidas do governo federal, por exemplo. “Quem está pedindo a greve não está preocupado com isso. Pelo que estamos vendo, tem algumas reivindicações justas, mas a gente pode entender que quem está chamando a greve já esteve por trás dos últimos movimentos no estado. Isso alavancou algumas carreiras políticas e pode aí ter uma motivação para esse tipo de movimento”, diz.

Surpresa

Entre os parlamentares baianos, o anúncio da greve provocou reações fortes. O líder do Governo na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), o deputado Rosemberg Pinto (PT), condenou o que chamou de “decisão isolada do deputado estadual Marcos Prisco (PSC)” de deflagrar greve da Polícia Militar.

Segundo Pinto, o colega nunca buscou discutir com o governo.

“Sou um deputado que transita em ambos os lados. Em momento algum o deputado Prisco sentou para manifestar algum tipo de insatisfação”, afirmou Pinto, através da assessoria, nesta quarta-feira.

O deputado afirma, ainda, que a decisão do grupo de PMs teria pegado todos de surpresa. “Inclusive seus colegas da bancada de Oposição”, lamentou. Ainda de acordo com Pinto, a greve teria sido deflagrada por cerca de 300 PMs – a maioria da reserva.

Um projeto de lei que altera a idade limite para permanência na reserva remunerada dos Praças está na pauta da Alba. Na proposta, que altera o Artigo 178 da Lei n° 7.990, de 27 de dezembro de 2001, a idade passará de 56 para 60 anos.

“Fui dirigente sindical e sempre antes de tomar qualquer decisão procurava negociar, apresentar as reivindicações. Sem sentar e apresentar a pauta de reivindicações, como se negocia? Isso está mais para uma ação de cunho político do que de busca por melhores condições para a categoria”, condenou Rosemberg.

Já o líder da oposição na Alba, o deputado estadual Targino Machado (DEM), afirmou que se coloca à disposição do governo estadual para ajudar a mediar, junto às lideranças do movimento grevista, uma oportunidade de diálogo.

Segundo o deputado, o anúncio da greve “não foi uma surpresa” para ninguém. Ao CORREIO, disse que vinha conversando com o também deputado estadual Marco Prisco (PSC) sobre o assunto.

“Vinha dizendo a ele que esse movimento deveria ser evitado a qualquer custo e que o principal caminho seria o diálogo à exaustão. Ele me disse que já tinha exaurido. Eu respondi que o grande objetivo de quem está numa negociação e quer negociar até a exaustão é não permitir que venha alcançar esse nível. Não pode exaurir”, disse Machado.

Machado afirmou, ainda, não concordar com o ordenamento jurídico que aponta que a Polícia Militar não pode fazer greve, por se tratar de um serviço essencial. Para ele, esse trabalho deveria vir acompanhado de um “tratamento essencial e salário essencial”.

“O governador (Rui Costa), no Papo Correria dele ontem (terça-feira), personalizou e demonstrou sua raiva do soldado Prisco. Peço ao governador para se contaminar pela isenção, equilíbrio e tranquilidade. Essa greve não interessa a ninguém”, disse.

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