Em meio a recordes diários de óbitos, o município de Dias d'Ávila fechou o mês de março como o mais mortal da pandemia de covid-19, registrando 46 mortes apenas nos últimos 31 dias. De acordo com o levantamento feito pelo Mais Região, março representa 42,4% do total de óbitos registrados na cidade durante a Pandemia do novo coronavírus.
O número de mortes em Dias d'Ávila subiu de 63, em 1º de março, para 109 no 31 de março, representando um crescimento de quase 75%. A secretaria de Saúde do município também computou no mesmo mês 880 casos positivos e 1.067 recuperados.
No Boletim desta quinta-feira (1º), o número de mortes subiu para 110. Com mais 31 casos foram confirmados, Dias d'Ávila tem hoje 114 pessoas em isolamento domiciliar. Segundo a Sesau, não existe nenhum paciente internado na cidade.
O Brasil enfrenta o pior momento da pandemia. Além da aumento no número de mortes, há uma explosão na transmissão do coronavírus no país. A média móvel de casos dos últimos sete dias está em 75.154 por dia.
Especialistas já previam que o mês de março seria trágico. Em entrevista ao portal DW, a pesquisadora Margareth Dalcolmo, da Fundação Oswaldo Cruz, afirmou que o Brasil enfrentava taxas de transmissão muito altas e curvas de mortalidade em ascensão e pediu que a sociedade se conscientizassem da necessidade do isolamento social e medidas sanitárias.
O avanço descontrolado da pandemia no país se tornou terreno fértil para mutações do coronavírus. A variante P1, originária de Manaus, acabou se espalhando por vários estados. Na cidade de São Paulo, ela já é responsável por 64% dos casos, e no Rio de Janeiro por 84%.
Segundo o virologista alemão Christian Drosten, com a movimentação livre da população e sem medidas de intervenção, como o uso obrigatório de máscara, a variante encontrou as "portas abertas" para uma segunda onda rasante.
"Porque a política não toma medidas de prevenção ou porque as estruturas do país são tais que não é possível tomá-las devido à pobreza, então, ocorrem tais fenômenos como uma segunda onda da pandemia tão terrível como a que estamos vivendo no Brasil neste momento", afirmou Drosten na terça-feira, em seu podcast Coronavirus Update na rádio Norddeutscher Rundfunk.
A explosão no número de infecções levou ainda ao maior colapso sanitário e hospitalar da história do país. Em diversos estados, as UTIs ficaram lotadas, não somente no sistema público, e pacientes morreram em filas de espera por um leito.
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