Com o aumento das cobranças dos americanos sobre o Brasil na área ambiental, o presidente Jair Bolsonaro foi aconselhado por ministros a apresentar metas de curto prazo para o desmatamento no Brasil durante a Cúpula do Clima convocada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. O evento começa na próxima quinta-feira (22), mesmo dia em que Bolsonaro discursará por três minutos.
Segundo ministros ouvidos pela CNN, a sugestão é para que o presidente brasileiro apresente “metas claras” de desmatamento no país até 2022, ano em que se encerra o primeiro mandato de Bolsonaro. A apresentação dessas metas seria um aceno explícito aos americanos para superar a carta enviada pelo presidente brasileiro a Biden, na qual o chefe do Palácio do Planalto prometeu acabar com o desmatamento ilegal até 2030.
Ministros do governo ressaltam que os sinais enviados pelos americanos após essa carta foram de que o Brasil precisava avançar e apresentar medidas mais concretas e no curto prazo. Além da promessa de metas de redução de desmatamento, Bolsonaro foi aconselhado a anunciar reforço no orçamento de instituições de combate ao desmatamento, como o INPE, o Ibama e o ICMBio.
Conforme o analista da CNN Caio Junqueira noticiou nesta segunda-feira (19) a ampliação do orçamento é tratada pela diplomacia brasileira como o grande anúncio a ser feito por Bolsonaro no evento, embora não esteja previsto ainda o percentual de aumento. O argumento de interlocutores do presidente é de que o percentual não foi definido porque o orçamento deste ano ainda não foi sancionado.
Auxiliares presidenciais querem que o presidente ressalte ainda no discurso o que o Brasil tem de positivo, na visão do governo. Entre esses pontos, assessores citam o fato de o país não representar nem 3% das emissões de carbono; de ter a matriz energética essencialmente limpa e uma regulação ambiental forte; e de ter capacidade de produção agrícola com tecnologia de ponta e com uso de parcela pequena do território nacional.
Nesta segunda-feira (19), Bolsonaro reuniu ministros no Planalto para debater o tom do discurso, entre eles, o chanceler Carlos França, e os titulares do Meio Ambiente, Ricardo Salles, da Agricultura, Tereza Cristina, e das Comunicações, Fábio Faria. O texto, no entanto, ainda não foi fechado. A expectativa é de que uma nova reunião ocorra até quinta-feira para fechar os detalhes.
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