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Geral Covid-19

Variante de Manaus circula sem controle em Feira de Santana

Estudo da Fiocruz testou, de forma aleatória, pessoas que circulavam na rua e não tinham sintomas de covid

25/06/2021 11h47
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Reprodução
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A variante gama ou P1, descoberta originalmente em amostras coletadas na cidade de Manaus, está circulando na Bahia e de forma descontrolada. Só em Feira de Santana, 11% das pessoas estão infectadas de forma assintomática por essa cepa. Isso, pelo menos, é o que mostra um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizado na cidade baiana, que é a maior do interior das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil.  

Dos 620 mil habitantes, a instituição testou 1,4 mil pessoas escolhidas ao acaso que circulam no Centro de abastecimento, na praça da prefeitura e na feira livre do bairro Tomba. Todos os participantes do estudo não tinham sintomas de covid e afirmaram que nunca tinham pego a doença. Os testes feitos foram o RT-PCR, aquele em que é usado um cotonete para coletar secreções região nasal do paciente e enviados ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), em Salvador. 

Dos testados, 154 pessoas foram confirmadas com a doença, o que equivale a 11%. “As amostras positivas foram sequenciadas pelos cientistas, que observaram que todos os casos positivos tratavam-se da linhagem gama. Todas eram P1!”, disse o coordenador do estudo, Luiz Carlos Júnior Alcântara, pesquisador titular da Fiocruz.  

O cientista ficou assustado com os resultados encontrados. Para ele, o grande problema da explosão de casos em assintomáticos é o fato deles não adoecem e, se não fizerem distanciamento social e uso de máscara, espalham sem saber o vírus para outras pessoas. 

“O estudo mostra que, nos assintomáticos, também tá circulando e muito a variante de Manaus. Isso nos dá suporte, nessa atual situação do pais, em dizer que é importante fazer uma investigação profunda nas pessoas que não tem sintomas e manter uso da máscara e distanciamento. Não adianta estar com pessoas que não tem sintomas, pois tem gente próxima de você que pode estar infectado sem saber e transmitindo o vírus”, explica.  

E se a circulação dessa cepa é alta entre os assintomáticos, isso demonstra a capacidade do vírus de se multiplicar e infectar cada vez mais pessoas, o que o torna mais perigoso. “A variante se multiplica mais facilmente, tanto nos assintomáticos como sintomáticos. Os sintomáticos procuram o sistema de saúde e são notificados, são reconhecidos. Esse não é o caso dos assintomáticos. Logo, a cepa aumenta o número de indivíduos infectados e o sistema de saúde não tem condição de atender a todos”, relata o professor Luiz Carlos.  

Estudo foi realizado em parceria com a Uefs e a Prefeitura de Feira de Santana 


O estudo foi feito em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e a Prefeitura de Feira de Santana. Foi função dessas duas instituições a coleta das amostras e envio ao Lacen para a realização da testagem. O grupo que testou positivo, inclusive, foi monitorado e isolado pela Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde e cerca de 5% apresentaram sintomas leves da doença, posteriormente. 

“A partir desse estudo pioneiro, com a avaliação dos dados e do comportamento da doença, podemos traçar estratégias para orientar o sistema de saúde com relação às medidas de contenção, prevenção e controle da covid-19. Esses dados são muito importantes para ajudar não só Feira de Santana, como também outros municípios”, afirma a coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Vigilância da Saúde da Uefs, Erenilde Cerqueira.  

A pesquisa foi realizada entre os dias 8 de abril e 18 de maio. Na época, já tinham casos da variante P1 identificadas em Feira de Santana. A cidade também vivia um aumento expressivo de casos da doença. “Eu me reuni com o secretário e o prefeito e eles me pediram uma sugestão de trabalho para explicar o aumento de casos que estava tendo lá. Não tem nenhum estudo como esse que demonstre essa questão dos assintomáticos”, diz o coordenador da equipe.  

Para o cientista, os resultados encontrados em Feira de Santana não são um caso isolado da cidade e refletem o quanto a cepa P1 está circulando em todo o país. “Nós estamos sequenciando essa variante no país todo. A depender do local, ela já é predominante. E o problema nacional é esse, a variante tá circulando em tudo, sintomáticos e assintomáticos”, explica.  

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