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Geral Setembro Amarelo

Psicóloga Katiana Ferreira alerta para a importância da prevenção ao suicídio e os desafios da saúde mental

Com dados alarmantes e os impactos da COVID-19 ainda presentes, o Setembro Amarelo reforça a importância da conscientização sobre saúde mental e prevenção ao suicídio

25/09/2024 14h57 Atualizada há 2 anos atrás
Por: Luana Velloso Fonte: Mais Região
Foto: Keila Abreu / Mais Região
Foto: Keila Abreu / Mais Região

Cuidar da saúde mental é essencial durante todos os meses do ano, mas o Setembro Amarelo destaca-se como um marco de conscientização sobre o suicídio e a importância da prevenção. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida no mundo, somando mais de um milhão de suicídios anuais. No Brasil, esse drama se repete a cada 45 minutos. Esses números revelam um problema de saúde pública de grandes proporções, que afeta pessoas de todas as idades.

A psicóloga Katiana Ferreira, em entrevista ao Programa É do Povo desta quarta-feira (25), ressaltou que o suicídio e a depressão não surgem de repente. “Os pensamentos suicidas não começam do dia para a noite”, explicou. Esses sentimentos refletem dores emocionais acumuladas, muitas vezes relacionadas a perdas e traumas não tratados adequadamente. “O suicida não quer acabar com a própria vida necessariamente, ele quer acabar com a dor e o problema que o consome”, completou, destacando a importância de um olhar humano e acolhedor para cada caso.

Ela destacou também como os impactos da pandemia de COVID-19 continuam sendo um desafio para a saúde mental da população. “Muita gente perdeu dinheiro, emprego, família; pessoas que ficaram sozinhas no mundo, órfãos que perderam pai, mãe, avós, irmãos. Empresas faliram e muita gente não conseguiu se recuperar”, ressalta. Segundo ela, esses fatores são gatilhos que ainda hoje levam muitas pessoas à depressão e a pensamentos suicidas.

Outro ponto abordado foi o impacto das redes sociais na autoimagem e no bem-estar emocional. Segundo a psicóloga, “a vida que as pessoas postam não é a vida que elas vivem”. A exposição constante a padrões irreais pode gerar comparações que afetam a autoestima, especialmente entre os mais jovens, que acabam sendo mais vulneráveis à frustração. Embora as redes possam trazer benefícios, seu uso inadequado pode acentuar sentimentos de inadequação e isolamento.

A psicóloga também alertou sobre os sinais que indicam risco de suicídio. Muitas vezes, esses sinais passam despercebidos no cotidiano. “Frases como ‘eu estou cansado’, ‘quero sumir’, ‘quero ir embora daqui’ são indicativos de alerta”, disse. O isolamento social, o comportamento excessivamente organizado e até postagens que tentam transmitir constante felicidade podem ser sinais de que algo não está bem. Nesses casos, o apoio de amigos, familiares e até da escola é crucial para que a pessoa saiba que não está sozinha.

Outro fator a ser observado é o crescente endividamento causado pelas plataformas de apostas esportivas e jogos online, que tem levado muitas pessoas ao limite emocional. “Já chegaram no consultório pessoas totalmente deprimidas, com pensamentos suicidas, porque gastaram tudo que tinham. Venderam carro, apartamento e até a reserva financeira da família”, alertou Katiana. Para ela, o Setembro Amarelo serve como um importante lembrete de que o autocontrole emocional e o acompanhamento profissional são fundamentais.

A pressão sofrida pelos jovens em um mundo cada vez mais acelerado e com pouca escuta. “É muita novidade e pouca preparação. A falta de maturidade e de apoio para lidar com frustrações pode levar a um adoecimento emocional”, afirmou Katiana. A ansiedade e o imediatismo das relações contemporâneas só aumentam a sensação de sobrecarga e incapacidade de lidar com as adversidades.

Por fim, a psicóloga reforçou a importância de abrir o diálogo sobre saúde mental. Quanto mais falarmos sobre o tema, mais fácil será identificar e oferecer ajuda a quem está ao nosso redor. O apoio emocional, a escuta ativa e o incentivo para buscar ajuda profissional podem salvar vidas. “A pessoa precisa saber que não está sozinha”, concluiu Katiana.

Assista à íntegra da entrevista:

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