Antes de virarem alvos de mais de 50 tiros por volta das 22h desta terça-feira (21), os dois adolescentes e o jovem que foram vítimas de um triplo homicídio na Baixa de Quintas, em Salvador, pediram uma pizza no local onde estavam, na Rua Desembargador Júlio de Brito.
Caique Santos Costa e Vitória Gabriele Costa Cruz, ambos com 15 anos, e o jovem Railan Andrade Santos, de 18, esperavam pelo pedido, feito em uma pizzaria 20 metros acima, quando foram surpreendidos por homens armados, como conta um familiar de Railan, que prefere não se identificar.
“A rua já estava vazia nesse horário, mas os três ficaram aqui por perto. Eles tinham pedido uma pizza para o rapaz que vende um pouco mais acima da rua e esperaram. Quando ele entrou, não demorou muito tempo e começamos a ouvir os tiros. Eles estavam esperando a pizza quando chegaram atirando”, fala.
Uma vizinha ao local, que também foi ouvida pela reportagem e tem medo de revelar o nome, afirmou que o caso deixou todos assustados. Segundo ela, apesar da Baixa de Quintas registrar casos de violência, o Freitas de Baixo, onde houve o crime, é uma área tranquila.
“Olha, por aqui não é comum ter coisas assim. Quando falam Baixa de Quintas e tem esses casos de violência, normalmente acontece lá na localidade da Matança. Todo mundo aqui está surpreso porque esse lugar é tranquilo, não é de problema. Carro de aplicativo, por exemplo, entra e sai sempre sem nenhuma ocorrência”, conta ela.
Procurada, a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) informou que chegou a ser acionada, mas os agentes da 37ª Companhia Independente (CIPM) encontraram as vítimas já sem vida. Já a Polícia Civil, fez perícia no local e destacou que o caso será investigado pela Delegacia de Homicídios Múltiplos (DHM) após o trabalho do Departamento de Polícia Técnica (DPT) expedidas.
Uma fonte da polícia, que terá nome e cargo preservados, afirma, entretanto que, pelas características do triplo homicídio, é provável que o crime tenha sido cometido por integrantes de facções criminosas. Isso porque, execuções brutais como essas, dão uma espécie de ‘recado’ da porte de traficantes.
“A gente não tem conhecimento sobre as vítimas. Então, é difícil afirmar o que poderia ter motivado o crime. O que dá para dizer é que esse ataque tem características de ação de facção. Dois veículos, armas de grosso calibre e ação tão violenta são semelhantes ao que grupos fazem quando querem mostrar poder. Se foi isso mesmo, só a investigação pode dizer”, completa.
Entre as três vítimas, apenas Railan morava perto de onde acabou morto. Segundo vizinhos, o jovem trabalhava consertando jetskis. Já Caíque, apesar de morar no Freitas de Baixo, não residia nas proximidades de onde estava no crime. Vitória Gabriele, por sua vez, que é apontada como namorada de Caíque, não era moradora da localidade e tinha sido vista poucas vezes no local. Não há informações ainda sobre o velório e o sepultamento das três vítimas.
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