Uma turista de 26 anos, natural de São Paulo, morreu após o desabamento do teto central da Igreja da Ordem 1ª de São Francisco de Assis, conhecida como "igreja de ouro", no Pelourinho, em Salvador. Outras cinco pessoas ficaram feridas no acidente, ocorrido na tarde desta quarta-feira (5). O acidente ocorreu por volta das 14h30. A Defesa Civil de Salvador (Codesal) confirmou a morte da mulher, que estava na cidade a turismo.
Segundo a Policia Civil, os feridos foram socorridos por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e do Corpo de Bombeiros, sendo encaminhados para uma unidade de saúde local. De acordo com as autoridades, todos sofreram apenas ferimentos leves e não correm risco de morte.
O diretor da Codesal, Sosthenes Macêdo, afirmou que a principal suspeita para a causa do desabamento é a falta de manutenção. "A primeira hipótese é o desgaste natural da estrutura devido ao tempo. Não havia indícios aparentes de risco iminente", explicou. Equipes da Codesal estão no local para avaliar a situação e investigar as causas do acidente.
O prefeito de Salvador, Bruno Reis, lamentou o ocorrido e garantiu que a prefeitura prestará apoio necessário, apesar de o imóvel não ser um patrimônio público. "Vamos oferecer suporte no que for preciso para minimizar os impactos dessa tragédia", declarou.
Em nota a Polícia Civil informou que o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) vai investigar a morte da turista. Guias foram expedidas para o trabalho do Departamento de Polícia Técnica (DPT) e os laudos periciais serão essenciais para esclarecer as causas do acidente.
Patrimônio Histórico
As estruturas da Igreja e Convento de São Francisco começaram a ser construídas em 1686. A obra só foi concluída com doação de moradores em 1723, mesmo tendo sido aberta ao público dez anos antes, em 1713.
Quem vê a igreja de fora, não imagina o luxo na parte interior. As superfícies internas - paredes, colunas, teto, capelas - são revestidas de intrincados entalhes cobertos de ouro, com florões, arcos, e inúmeras figuras de anjos e pássaros, símbolos do barroco brasileiro.
Considerada uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no mundo, a igreja já enfrentava problemas estruturais há anos. Com interior revestido em ouro, o templo fundado no início do século 18 foi tombado como patrimônio material do Brasil, porém, o reconhecimento do governo federal, que deveria garantir a proteção ao espaço, não impediu a construção de atingir uma situação degradante.
Todo patrimônio tombado só pode ser reformado se as características que justificaram o tombamento, a exemplo da fachada e do conjunto arquitetônico, se mantiverem as mesmas. No caso da igreja franciscana, os desafios são grandes para assegurar as características tradicionais do barroco.
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