O grupo Ciência Cidadã Preguiça-de-coleira, uma das ações do Projeto Conecta-vidas iniciativa de pesquisa e conservação voltada à proteção da ameaçada preguiça-de-coleira-do-nordeste tem mobilizado moradores e visitantes da Praia do Forte no monitoramento das preguiças que habitam a região. O projeto é fruto de uma parceria entre o Aruá Observação de Vida Silvestre e o Laboratório de Ecologia Aplicada à Conservação da UESC. Por meio do compartilhamento de vídeos e localizações nas redes sociais, a comunidade tem contribuído ativamente para a preservação desses animais.
Infelizmente, os registros de preguiças eletrocutadas, vítimas da fiação elétrica exposta e de outras estruturas da concessionária Neoenergia, têm se tornado cada vez mais frequentes. O caso mais recente ocorreu no sábado (12), quando uma preguiça sofreu uma descarga elétrica e teve uma das patas dilacerada. O animal foi encaminhado ao veterinário Henrique Lima, que atua na região, e recebeu os primeiros cuidados. “Os ferimentos eram graves e causavam dor e sofrimento”, relata Luciana F. Veríssimo, uma das coordenadoras do Projeto Conecta-vidas. Em seguida, a preguiça foi levada ao CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres), do Inema, em Salvador, onde segue em recuperação.
Essa tragédia não é um caso isolado. Há diversos registros de animais eletrocutados na região da Praia do Forte. A supressão da vegetação nativa para a construção de novos condomínios tem forçado esses animais a buscarem refúgio em áreas mais urbanizadas, o que aumenta os riscos de eletrocussões, atropelamentos e outros acidentes. “A situação evidencia a urgência de ações concretas para mitigar esses impactos”, reforça Luciana.
Como evitar novas tragédias? De que forma a concessionária de energia pode atuar de maneira responsável em uma área reconhecida por sua importância ecológica?
Além da preguiça-de-coleira-do-nordeste, a floresta do Aruá e seu entorno abrigam outras espécies ameaçadas, como o ouriço-preto (Chaetomys subspinosus), também listado como em risco de extinção. A convivência com essa fauna exige comprometimento e responsabilidade, especialmente em territórios com reconhecido valor ambiental.
O grupo Ciência Cidadã reforça o convite ao diálogo e à ação conjunta. Proteger as preguiças é preservar todo um ecossistema. Quantos alertas mais serão necessários para que atitudes concretas sejam finalmente tomadas?
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