Com a chegada da BYD à cidade de Camaçari, aumentam as especulações sobre a capacidade produtiva da empresa e o processo de contratação de mão de obra. A população e os trabalhadores do setor automotivo ainda têm dúvidas sobre os critérios adotados. O secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Julio Bonfim, foi entrevistado no programa É do Povo, nesta quinta-feira (3), e esclareceu como essas contratações devem ocorrer.
Uma das principais preocupações levantadas por Julio diz respeito aos supostos impedimentos criados pela empresa para a contratação de pessoas acima dos 40 anos. Segundo ele, dos 700 baianos que já atuam na montadora, apenas uma pequena parcela veio do antigo complexo da Ford. A maioria dos trabalhadores nunca teve experiência no setor automotivo.
“A BYD entrou com a metodologia do ‘puro-sangue’. Eu vou ‘catequizar’ esse pessoal”, afirmou o sindicalista, fazendo uma analogia ao processo usado por colonizadores para moldar o pensamento de povos originários. Segundo Bonfim, a montadora tem optado por contratar profissionais jovens, sem vícios de experiências anteriores e com pouca ou nenhuma ligação com movimentos sindicais.
Julio também criticou o fato de muitas dessas contratações terem ocorrido sem qualquer treinamento específico, o que, segundo ele, demonstra uma certa desorganização por parte da empresa.
“Essas coisas precisam ficar muito claras para que a população entenda o que está acontecendo. A BYD voltou a restringir as contratações a pessoas com até 35 anos. A Lei 9.029/1995 proíbe qualquer tipo de discriminação ou fixação de idade para contratação. Isso está na lei”, destacou.
O dirigente sindical apontou ainda que há um número expressivo de trabalhadores acima dos 40 anos qualificados e aptos para atuar na BYD, mas que enfrentam uma espécie de preconceito, especialmente os ex-funcionários da Ford.
“Não quero mandar na empresa, mas sou representante dos trabalhadores. O Sindicato dos Metalúrgicos luta por essas pessoas”, disse Bonfim, relembrando as batalhas travadas à época da Ford para evitar a terceirização de áreas estratégicas como a linha de montagem e a ferramentaria.
“Vamos aguardar as discussões com a BYD na próxima semana para podermos avançar. Já há cerca de 500 vagas anunciadas no SINE e algumas no CIAT, mas ainda com a limitação de até 35 anos. Nós não concordamos com isso. Queremos vagas abertas também para pessoas com 40, 50 anos e, sobretudo, uma política clara de valorização dos ex-funcionários do complexo Ford”, concluiu.
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