A Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) foi notificada nesta segunda-feira (6) sobre a prisão do deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, o Binho Galinha (PRD), que ocorreu na última sexta-feira (3). O parlamentar é suspeito de comandar uma milícia em Feira de Santana e foi preso preventivamente, junto com a esposa, o filho e outras sete pessoas. A Justiça manteve a prisão após audiência de custódia. A Alba aguarda acesso aos autos do processo para definir medidas internas.
O mandado de prisão preventiva contra Binho Galinha foi cumprido após a Justiça determinar a continuidade da operação, mesmo com foro privilegiado. O Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que o foro se aplica apenas a crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções parlamentares, enquanto ilícitos anteriores ou não relacionados devem ser apurados em primeira instância.
A Assembleia Legislativa informou, por meio de nota oficial, que recebeu a notificação judicial, mas ainda não teve acesso à decisão e aos autos do processo, fundamentais para que o Conselho de Ética ou o Plenário possam deliberar. Assim que a documentação estiver disponível, a tramitação interna será iniciada.
Binho Galinha teve mandado de prisão cumprido por uma equipe do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). Ele foi conduzido a Salvador e permanece custodiado em uma Sala de Estado-Maior. A defesa do parlamentar sustenta que ele nunca esteve foragido e que todas as medidas judiciais cabíveis serão tomadas para restabelecer a legalidade.
As investigações indicam que o deputado teria comandado a milícia utilizando empresas de fachada e “laranjas” para movimentar recursos. Operações anteriores, como “El Patrón” e o desmembramento “Estado Anômico”, resultaram na prisão de familiares e associados, bloqueio de contas bancárias e apreensão de bens, incluindo um carro blindado com comunicação via satélite. O Ministério Público da Bahia aponta envolvimento do grupo em crimes como lavagem de dinheiro, jogo do bicho, agiotagem, tráfico de drogas, receptação qualificada, comércio ilegal de armas e obstrução da Justiça.
A defesa reforça que Binho Galinha colabora com as investigações e que os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo do processo. A Alba reafirma compromisso com transparência, imparcialidade e respeito ao Estado Democrático de Direito.
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