Quinta, 02 de Julho de 2026 08:39
(71) 99663.6360
Dólar comercial R$ 5,21 +0,00%
Euro R$ 5,93 ++0,01%
Bitcoin R$ 338.194,62 ++1,56%
Bovespa 171.688,61 pontos -0.2%
Política em Foco Bahia

MP-BA barra tentativa do PT de restringir participação popular no planejamento urbano do estado

De acordo com o MP-BA, a PEC coibir a participação popular representa um “grave retrocesso”

21/10/2025 05h42 Atualizada há 8 meses atrás
Por: Luciano Bandeiras Fonte: Bahia Notícias
Reprodução / Bahia Notícias/ PT na ALBA
Reprodução / Bahia Notícias/ PT na ALBA

O Ministério Público da Bahia (MP-BA), através da 1ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo de Salvador, emitiu uma recomendação oficial e urgente aos deputados estaduais da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), para que não subscrevam ou aprovem uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera o artigo 64 da Constituição Estadual.

Segundo informações do portal Bahia Notícias, parceiro do Mais Região, documento faz um apelo específico ao autor da proposta, deputado Rosemberg Pinto (PT), e classifica a proposta como manifestamente inconstitucional e uma afronta direta à autonomia municipal e ao pacto federativo.

De acordo com o MP-BA, a PEC em questão representa um "grave retrocesso" ao restringir a gestão democrática das cidades. A alteração proposta tornaria a participação popular obrigatória apenas na elaboração e revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), tornando-a facultativa para projetos de lei que modifiquem as normas do Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo (LOUOS). Para a promotoria, isso esvaziaria um direito já assegurado, gerando "grave insegurança jurídica e institucional".

A promotoria argumenta que a justificativa apresentada para a PEC, a de evitar o "engessamento dos trabalhos legislativos", parte de uma premissa equivocada. Além disso, o MP-BA contesta que as leis de uso do solo, que definem o destino do território urbano e direitos coletivos à cidade, possam ser equiparadas a projetos de lei de interesse meramente específico, destacando sua "natureza estruturante e de alto impacto social".

 Ainda de acordo com informações do Bahia Notícias, o documento do MP sustenta que as normas de uso e ocupação do solo são tecnicamente indissociáveis das diretrizes do Plano Diretor, pois são os mecanismos que operacionalizam o planejamento urbano. "Portanto, esvaziar a participação popular na regulamentação de tais instrumentos contradiz a própria exigência de participação na elaboração do plano macro", afirma o texto. A promotoria também invoca o "princípio da proibição do retrocesso", alegando que a proposta suprime um direito de participação democrática já consolidado, enfraquecendo o controle social e a transparência.

A recomendação também aponta vício de inconstitucionalidade material, argumentando que a proposta ofende o pacto federativo e a autonomia municipal ao legislar de forma restritiva sobre uma competência que caberia aos municípios definirem em suas Leis Orgânicas. Além disso, alerta que a alteração esvaziaria o fundamento jurídico de diversas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADINs) movidas contra leis urbanísticas aprovadas sem participação popular, o que geraria "grave insegurança jurídica".

Por fim, o MP-BA recomenda formalmente a todos os deputados que rejeitem a PEC e, de maneira específica, ao deputado Rosemberg Pinto, que promova o arquivamento da proposta. Foi estabelecido um prazo de 10 dias para que os parlamentares analisem a recomendação e se manifestem sobre a adoção das medidas solicitadas. 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.