As operações da Polícia Civil realizadas nesta semana no Rio de Janeiro, especialmente nos complexos da Penha e do Alemão, contaram com forte respaldo popular, segundo pesquisas divulgadas após as ações. Em meio a críticas sobre o número de mortos e denúncias de abusos, os levantamentos mostram que a maioria da população, sobretudo nas favelas, aprova as ações de combate ao crime organizado.
De acordo com levantamento do instituto Arrow Pesquisas, realizado no dia 29 de outubro, 68,8% dos entrevistados em todo o estado do Rio de Janeiro afirmaram apoiar as megaoperações policiais. A pesquisa ouviu 2.210 pessoas, sendo 979 na capital e 1.231 no interior, e tem margem de erro de 2,06 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Apenas 24,4% disseram ser contra as ações, e 7,7% se declararam indiferentes.
Outro estudo, conduzido pelo instituto AtlasIntel, revelou que o apoio é ainda mais expressivo nas comunidades onde as operações ocorreram. Entre moradores de favelas da capital fluminense, 87,6% afirmaram aprovar a atuação da polícia, segundo o levantamento. O índice é superior à média geral da população carioca, que ficou em cerca de 62%.
Já a pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, feita com 800 entrevistados na cidade do Rio, mostrou que 69,6% são favoráveis às operações, enquanto 25,8% são contrários e 4,6% não opinaram. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Ainda segundo o levantamento, 60,1% dos participantes afirmaram que não houve exageros na atuação policial, e mais da metade acredita que as ações contribuem para reduzir a criminalidade.
Especialistas apontam que o alto índice de aprovação nas favelas está relacionado à rotina de medo e insegurança enfrentada por moradores dessas regiões. Para muitos, as operações representam uma tentativa concreta de enfraquecer o domínio de facções criminosas e devolver a sensação de ordem.
“Quem vive nas comunidades sente na pele o poder paralelo. Por isso, é natural que a presença do Estado, mesmo de forma violenta, gere uma percepção de alívio e esperança”, avalia o sociólogo e pesquisador de segurança pública Ricardo Silva.
Apesar do apoio expressivo, as operações têm sido alvo de críticas de organizações de direitos humanos, que apontam para o elevado número de mortos e denunciam falta de transparência nas ações. Segundo a Agência Brasil, uma força-tarefa foi montada para identificar os mortos durante a operação, considerada uma das mais letais dos últimos anos no estado.
As autoridades defendem a atuação da polícia, afirmando que as operações visam desarticular quadrilhas responsáveis por ataques recentes e confrontos armados. O governador Cláudio Castro e o secretário de Polícia Civil destacaram que a ação faz parte de um esforço integrado para conter o avanço de facções e reduzir os índices de violência.
Os dados das pesquisas reforçam a complexidade do tema da segurança pública no Rio de Janeiro: enquanto cresce a crítica sobre a letalidade das operações, também aumenta o apoio popular, sobretudo nas áreas mais afetadas pelo crime.
Para os analistas, o desafio do poder público é equilibrar a eficiência no combate ao tráfico com o respeito aos direitos humanos. “O apoio da população é importante, mas não pode justificar excessos. A segurança só é sustentável quando o Estado garante proteção e justiça de forma equilibrada”, conclui o pesquisador Ricardo Silva.
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