Uma prática criminosa tem feito cada vez mais vítimas no país: o golpe da falsa venda, que consiste na criação de perfis falsos de lojas em redes sociais, páginas falsas que simulam e-commerce e no envio de promoções inexistentes por e-mails, SMS e mensagens de WhatsApp. Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), no primeiro semestre deste ano, foram 174 mil ocorrências de clientes relatadas aos bancos associados à entidade, aumento de 314% em relação ao primeiro semestre de 2024.
Como alerta Walter Faria, diretor-adjunto de Serviços e Segurança da Febraban, “é importante ter muito cuidado com este golpe nesta época do ano, já que se aproximam datas importantes para o comércio como a Black Friday e o Natal”. Segundo ele, a população deve estar atenta a alguns indícios de fraude: o produto ofertado estar com o preço muito abaixo do que é vendido no comércio em geral; o vendedor pressionar para fechar logo uma compra, dizendo que ela pode ficar indisponível; ou e-commerce ser recém-criado em rede social. “A chance de ser um golpe é grande”, ressalta o especialista. A falsa venda foi a modalidade de golpe mais aplicada contra clientes bancários no primeiro semestre do ano, e ainda conforme a entidade, algumas dicas são importantes para evitar ser vítima desta prática.
Para a professora Renata Souto, o maior desafio é ter atenção em meio a tantas ofertas nesta época do ano. “Acabo sempre desconfiando de anúncios e tento checar. Nessa época de Black Friday, a gente é bombardeado por tantos anúncios, que acaba virando alvo fácil de bandidos. Por isso, acabo sempre comprando nos sites oficiais da empresa, mesmo que a oferta venha através de um link específico. Evito clicar nos links e vou pesquisar se realmente é verdade a promoção”, explica.
Como medidas de segurança, a Febraban elenca uma série de perguntas que devem ser respondidas pelo cliente: “o produto tem um preço médio no comércio de R$ 1.000,00, mas alguém está anunciando o mesmo item por R$ 300,00? Há fotos e vídeos de antes e depois de produtos com resultados mirabolantes? A loja oferece poucas opções de pagamento? Pare, pense e desconfie. Pode ser golpe. Tome muito cuidado com links recebidos em e-mails e mensagens e dê preferência aos sites conhecidos para as compras”.
Ainda de acordo com o levantamento da entidade, na segunda colocação ficou o golpe da falsa central/falso funcionário de banco, com 139 mil relatos de clientes no primeiro semestre do ano, aumento de 195,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Neste caso, o fraudador entra em contato com a vítima se passando por funcionário do banco ou empresa com a qual o cliente tem um relacionamento ativo, informa que há irregularidades na conta ou que os dados cadastrados estão incorretos e, a partir daí, solicita os dados pessoais e financeiros da vítima, orientando-a a realizar transferências e alegando a necessidade de regularizar problemas na conta ou no cartão.
Para evitar esse tipo de golpe, a Febraban orienta que o cliente sempre verifique a origem das ligações e mensagens recebidas contendo solicitações de dados. “Os bancos podem entrar em contato com os clientes para confirmar transações suspeitas, mas nunca solicitam dados pessoais, senhas, atualizações de sistemas, chaves de segurança, ou ainda que o cliente realize transferências ou pagamentos alegando estornos de transações. Ao receber uma ligação suspeita, o cliente deve desligar, e de outro telefone, deve entrar em contato com os canais oficiais de seu banco”, destaca a entidade.
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