O chamado escândalo do Pix ganhou repercussão nacional após uma reportagem especial exibida neste domingo (17) no programa Domingo Espetacular, da Record TV. A matéria, conduzida pelo repórter André Tal, trouxe à tona relatos de famílias humildes que afirmam ter sido prejudicadas por desvios de doações feitas através de campanhas exibidas na Record Bahia.
De acordo com a reportagem, o então repórter da emissora no estado, Marcelo Castro, é apontado como responsável por solicitar doações em nome das famílias e, posteriormente, não repassar integralmente os valores arrecadados. O jornalista é investigado pela Polícia Civil da Bahia.
Tentativa de barrar a reportagem na Justiça
Antes da exibição, Marcelo Castro tentou impedir que a matéria fosse ao ar, ingressando com uma ação na Justiça baiana sob a alegação de que o conteúdo teria “caráter difamatório”. A tentativa, porém, foi rejeitada.
Em decisão divulgada neste fim de semana, o juiz responsável pelo caso afirmou que o tema é de “interesse público” e que qualquer impedimento configuraria censura prévia, autorizando a transmissão da reportagem pela emissora paulista.
Vítimas relatam drama
A reportagem ouviu mães que afirmam ter recebido apenas uma parte dos valores doados pelo público.
Uma delas, Lucileide Sousa de Jesus, mãe de uma criança com leucodistrofia, contou que mais de R$ 45 mil foram arrecadados, mas apenas R$ 10 mil chegaram até ela.
“Me senti usada, violada. Principalmente pelo sofrimento do meu filho”, disse Lucileide ao programa.
Outra mãe relatou situação semelhante. Segundo ela, o repórter teria orientado que gravasse cenas que aumentassem o apelo emocional da história. Dos R$ 30 mil arrecadados para o tratamento de seu filho, que sofre de hidrocefalia e má formação da coluna, apenas R$ 6 mil teriam sido repassados.
Investigação aponta desvio de mais de R$ 400 mil
De acordo com informações do portal UOL Notícias, as investigações da Polícia Civil da Bahia estimam que o grupo envolvido teria se apropriado de R$ 407,1 mil cerca de 75% dos R$ 543 mil doados pelo público em diversas campanhas realizadas pela emissora.
Ainda segundo as informações, o inquérito aponta que Marcelo Castro teria ficado com R$ 146,2 mil, enquanto Jamerson Oliveira, ex-editor-chefe do Balanço Geral e atual parceiro de Castro no projeto Alô Juca, teria recebido R$ 145,7 mil.
Julgamento começa nesta terça (18)
O caso tramita na Justiça baiana e começa a ser julgado nesta terça-feira (18). A repercussão aumentou após a exibição da reportagem, que detalhou o drama das famílias e o suposto esquema de desvio das doações feitas via Pix.
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