A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (18), o Projeto de Lei Antifacção (PL 5582/2025), considerado o marco legal mais rígido já votado pelo Congresso para o combate ao crime organizado no país. O texto passou com ampla maioria — 370 votos a favor, 110 contrários e 3 abstenções — mas a Bahia chamou atenção nacional ao figurar entre os estados com maior número de votos contrários.
No total, 12 deputados baianos rejeitaram o projeto, posicionando o estado como um dos principais polos de oposição à proposta, que endurece penas, cria novos crimes, amplia poderes de investigação e estabelece regras mais rígidas para líderes de facções, incluindo penas que podem chegar a até 66 anos de prisão.
A lista inclui parlamentares de partidos da base do governo e até nomes de legendas tradicionalmente alinhadas ao endurecimento penal:
1. Alice Portugal (PCdoB)
2. Bacelar (PV)
3. Daniel Almeida (PCdoB)
4. Ivoneide Caetano (PT)
5. João Carlos Bacelar (PL)
— único voto contrário do PL em todo o país, ao lado de Eros Biondini (MG).
6. Jorge Solla (PT)
7. Joseildo Ramos (PT)
8. Josias Gomes (PT)
9. Lídice da Mata (PSB)
10. Mário Negromonte Jr. (PP)
— único voto contrário do PP nacionalmente.
11. Waldenor Pereira (PT)
12. Zé Neto (PT)
A posição desses deputados contrasta com seus próprios partidos em nível nacional.
O PL, por exemplo, votou em peso a favor — 80 votos favoráveis e apenas dois contrários, sendo um deles justamente o baiano João Carlos Bacelar.
No PP, apenas um deputado votou contra: o baiano Mário Negromonte Jr.
Entre os partidos da base do governo, a oposição foi mais explícita. Todos os deputados presentes do PT votaram contra o projeto, assim como todo o PSOL. PCdoB, PSB e PV também registraram maioria contrária.
O texto aprovado endurece de forma expressiva as regras contra o crime organizado. Entre os principais pontos:
• Penas de 20 a 40 anos para membros de facções ou milícias;
• Possibilidade de penas que chegam a 66 anos para líderes de organizações criminosas;
• Progressão de regime muito mais difícil: exigência de cumprimento de 85% da pena;
• Proibição de graça, indulto, anistia ou liberdade condicional;
• Apreensão prévia de bens do investigado e possibilidade de perdimento antes do julgamento final;
• Participação estruturada do Ministério Público via GAECOs;
• Audiências de custódia por videoconferência como regra;
• Homicídios cometidos por facções deixam de ir ao Júri e passam a ser julgados por colegiados.
O relator, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), apresentou cinco versões do relatório após intensas disputas entre base governista e oposição. A falta de consenso levou inclusive ao pedido da base do governo para retirar o projeto da pauta — rejeitado por 316 votos a 110.
O resultado acentuou tensões políticas na Bahia, estado onde a violência ligada a facções é tema constante de debate público. O fato de 12 parlamentares baianos terem votado contra o texto — mesmo com ele sendo aprovado pela maioria esmagadora da Câmara — reacende questionamentos sobre:
• alinhamento dos deputados baianos com o endurecimento penal;
• posicionamento ideológico sobre segurança pública;
• e a distância entre a narrativa nacional de enfrentamento ao crime e o voto de parte significativa da bancada baiana.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o projeto é a resposta “mais dura da história” contra o crime organizado. Segundo ele:
“Chefes de facções agora irão direto para presídios federais, encontros com advogados serão gravados e não haverá visitas íntimas.”
A aprovação abre agora uma nova fase da disputa: a reação política — e eleitoral — aos votos contrários, especialmente nos estados mais afetados pelo avanço das facções.
Economia Cesta Básica de Salvador fica 0,80% mais barata em junho após cinco meses de alta
Saúde Julho Amarelo alerta para prevenção das hepatites virais; Brasil registra mais de 826 mil casos desde 2000
Educação Prazo para recorrer da negativa de atendimento especializado no Enem 2026 termina nesta sexta (03)
Polícia Federal PF faz operação em quatro estados para apurar irregularidades no uso de emendas PIX
Economia Gás de cozinha fica mais barato na Bahia após redução no preço para revendedores
Uso da tecnologia Polícia Civil alcança 81 envolvidos com roubos em coletivos e recupera 375 celulares