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Política em Foco Decisão

STF avalia hoje se mantém prisão preventiva de Bolsonaro

Ex-presidente segue detido na PF em Brasília após violar tornozeleira

24/11/2025 08h10 Atualizada há 7 meses atrás
Por: Keila Abreu Fonte: Correio 24 horas
 Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) volta ao centro das atenções nesta segunda-feira (24), quando a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia o exame sobre a manutenção da prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes. O julgamento será feito exclusivamente no plenário virtual, entre 8h e 20h, com votos lançados no sistema eletrônico do tribunal.

Por ter sido o responsável pela decisão questionada, Moraes não participa da votação. O presidente da Turma, Flávio Dino, além de Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, compõem o colegiado que vai definir se o ex-presidente continua preso ou se a ordem é revogada.

Audiência de custódia manteve a prisão

No domingo (23), Bolsonaro passou por audiência de custódia na sede da Polícia Federal em Brasília, que confirmou a legalidade da prisão preventiva. O procedimento é obrigatório em qualquer detenção, inclusive nas determinadas pelo STF, para verificar se houve respeito às garantias básicas do preso.

Durante essa audiência, conduzida pela juíza Luciana Sorrentino, o ex-presidente afirmou que o rompimento da tornozeleira eletrônica ocorreu durante um “surto” provocado por medicamentos psiquiátricos. Ele disse que a pregabalina teria provocado “paranoia” e “alucinações”.

A ata registra que Bolsonaro:

acreditou que havia uma escuta dentro do equipamento;

tentou abrir a tampa da tornozeleira usando um ferro de soldar;

disse ter “caído na razão” e parado a ação;

avisou os agentes de custódia;

relatou nunca ter vivido episódio semelhante;

afirmou ter começado a tomar um dos remédios “havia quatro dias” antes da prisão.

O ex-presidente negou qualquer intenção de fuga.

Por que Bolsonaro está preso

Bolsonaro está detido na Superintendência da PF desde sábado (22). A Polícia Federal apontou risco de fuga, danos à tornozeleira e tentativa de aproveitar aglomerações de apoiadores para despistar a vigilância — o que levou Moraes a converter a prisão domiciliar em preventiva.

A detenção não decorre da pena de 27 anos e 3 meses imposta no julgamento pela tentativa de golpe de Estado. Essa condenação ainda não foi executada porque há prazos recursais em curso. Quando os recursos terminarem, Moraes deverá declarar o trânsito em julgado, o que obriga o início do cumprimento da pena, possivelmente em regime fechado.

Recursos no caso do golpe ainda em andamento

As defesas de Bolsonaro e de outros seis condenados têm até esta segunda-feira (24) para apresentar novos embargos de declaração no julgamento do golpe. Esse tipo de recurso costuma corrigir pontos específicos, mas raramente altera a duração da pena.

Nos próximos dias, ainda é possível que tentem os embargos infringentes - porém, o STF só aceita esse instrumento quando há pelo menos dois votos absolutórios, o que não ocorreu.

Com pena superior a oito anos, Bolsonaro deverá começar o cumprimento em regime fechado assim que se esgotarem todos os recursos. A tendência é que a atual prisão preventiva seja seguida diretamente pelo início da execução penal.

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