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“Não há motivo pra vergonha em cuidar da sua saúde”, afirma urologista ao reforçar Novembro Azul

Em entrevista, Dr. Bruno Sarmento alerta para riscos, sintomas, prevenção e necessidade de consultas regulares.

28/11/2025 15h56
Por: Luana Velloso Fonte: Mais Região
Foto: Keila Abreu / Mais Região
Foto: Keila Abreu / Mais Região

O urologista Dr. Bruno Sarmento, entrevistado no Programa é do povo desta quinta-feira (27), destacou a relevância do autocuidado masculino e o reforço às ações do Novembro Azul, explicando os riscos do câncer de próstata, a necessidade de prevenção, os sintomas que exigem atenção e a importância de procurar atendimento mesmo sem sinais aparentes.

Graduado pela Escola Bahiana de Medicina e membro da Sociedade Brasileira de Urologia, Dr. Bruno Sarmento, especialista em uro-oncologia, cirurgia robótica e terapia hormonal, ressaltou que o mês de novembro é dedicado à conscientização sobre a saúde masculina.

Dr. Bruno iniciou lembrando que o Novembro Azul é um período estratégico para chamar atenção para a saúde masculina. Ele afirmou que o câncer de próstata é responsável por mais de 15 mil mortes por ano no Brasil e ultrapassa 70 mil diagnósticos anuais, sendo a segunda maior causa de morte por câncer entre homens. Explicou que se trata de uma doença silenciosa em fases iniciais e que, quando detectada cedo, apresenta mais de 90% de chances de cura. Ressaltou que muitos homens só procuram atendimento quando já estão doentes, o que dificulta a prevenção.

Segundo ele, a campanha contribui para ampliar diagnósticos e cuidados, mas o mais importante é deixar de lado medo e preconceito. O médico destacou que, além do câncer de próstata, existem outros tipos que afetam homens, como câncer de pênis, bexiga, testículos e rins. Ele chamou atenção para o cenário brasileiro, onde o câncer de pênis apresenta índices elevados em regiões mais pobres do Nordeste. Em suas palavras, "Temos algumas das maiores taxas do mundo em regiões mais pobres do Nordeste. Algo que com água e sabão, higiene, a gente consegue prevenir". Ele explicou que muitas vezes o indivíduo convive por anos com uma ferida e só procura atendimento quando a doença está avançada, situação que poderia ser evitada com consultas de rotina.

O urologista informou que outros problemas comuns incluem a ejaculação precoce, questão que pode comprometer relacionamentos e que exige acompanhamento médico. Ele também citou que mulheres costumam se cuidar mais e que muitos homens, após deixarem o pediatra, passam longos períodos sem avaliações médicas, retornando somente em casos de doença específica. Destacou que médicos, pais e professores podem ajudar na orientação desde cedo.

Sobre sintomas, explicou que o câncer de próstata é uma doença silenciosa, mas que, de modo geral, sinais como diminuição do jato urinário, aumento da frequência para urinar e sensação de bexiga cheia podem estar relacionados ao aumento da próstata, que nem sempre significa câncer, podendo indicar hiperplasia benigna. Por serem sintomas semelhantes, reforçou a necessidade de avaliação profissional.

Dr. Bruno orientou que homens procurem o médico mesmo sem sintomas, por volta dos 40 anos, especialmente aqueles com histórico familiar. A partir dos 45 anos, recomendou a realização anual do exame de toque retal e do PSA. Ele também destacou que hábitos como tabagismo, obesidade e sedentarismo favorecem casos em pessoas mais jovens, embora os diagnósticos precoces tenham aumentado. Explicou que os exames de toque retal e PSA são complementares e indispensáveis, além da ressonância magnética, que oferece avaliação mais completa para definir necessidade de biópsia. Ele reforçou que o toque é indolor, não altera orientação sexual e não deve ser motivo de vergonha.

Ao comentar sobre ejaculação precoce e uso de medicamentos, destacou que a ansiedade pode ser um fator e que existem tratamentos adequados. Ele alertou que o uso de tadalafila não traz qualquer benefício para ejaculação precoce e não possui comprovação científica para ganhos em musculação. Ressaltou que citrato e tadalafila são contraindicados para pessoas com problemas cardíacos e usuários de nitratos, devido ao risco de efeitos colaterais graves, incluindo morte. Finalizou pedindo que homens permitam que profissionais cuidem da saúde deles.

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