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Política em Foco Política

AGU solicita que Gilmar Mendes reveja decisão sobre denúncias contra ministros do STF

Órgão pede suspensão dos efeitos da medida cautelar até julgamento no plenário virtual, marcado para começar no dia 12.

03/12/2025 22h26
Por: Luana Velloso Fonte: G1
Ministro Gilmar Mendes. — Foto: Gustavo Moreno/STF
Ministro Gilmar Mendes. — Foto: Gustavo Moreno/STF

A Advocacia-Geral da União pediu que o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes reveja a decisão que limitou à Procuradoria-Geral da República o poder de denunciar ministros da Corte ao Senado por eventuais crimes de responsabilidade, tema que pode levar ao impeachment, o que ocorre no momento em que a análise do caso pelo plenário virtual está agendada para começar no dia 12.

A AGU enviou manifestação ao ministro solicitando que os efeitos da medida cautelar fiquem suspensos até que o STF julgue o tema de forma definitiva. A decisão de Gilmar, tomada no âmbito de ação que questiona trechos da Lei do Impeachment, de 1950, restringiu a formalização de denúncias contra ministros do Judiciário ao procurador-geral da República, apesar de a legislação prever que qualquer cidadão ou parlamentar pode apresentar pedidos desse tipo.

Gilmar Mendes afirma que a limitação busca evitar um ambiente de intimidação e insegurança jurídica, segundo escreveu na decisão ao defender que denúncias abusivas fragilizam a independência do Judiciário. Atualmente, não há previsão constitucional específica de impeachment de ministros do STF, mas a Constituição atribui ao Senado a responsabilidade de processar e julgar integrantes da Corte por crimes de responsabilidade, como exercer atividade político-partidária, atuar quando for suspeito na causa, agir com desídia ou ferir a honra e o decoro do cargo.

Na manifestação apresentada, o advogado-geral da União Jorge Messias argumenta que permitir que qualquer cidadão protocole pedidos de impeachment não ameaça o Poder Judiciário, já que o controle popular é assegurado pela Constituição. Indicado ao STF pelo presidente Lula, Messias menciona ainda projetos em tramitação no Senado e defende que eventuais alterações na Lei do Impeachment sejam feitas pelo Congresso, o que, segundo ele, evita transformar o Supremo em legislador substitutivo.

O posicionamento acompanha declaração feita pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que afirmou que a decisão de Mendes representa usurpação das prerrogativas da Casa.

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