O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, no patamar mais alto desde 2006. A decisão, tomada na reunião desta quarta-feira, repete a estabilidade dos últimos encontros e ocorre em meio a críticas do governo. No comunicado, o BC ajustou projeções e reduziu a estimativa oficial de inflação do horizonte relevante de 3,3% para 3,2%.
O BC reiterou que o cenário de elevada incerteza exige cautela na condução da política monetária. A instituição afirmou que a manutenção da Selic por período bastante prolongado é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O comitê destacou que poderá ajustar os passos futuros da política monetária e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.
A autoridade monetária reforçou que a estratégia de manutenção já está em curso, alinhada ao posicionamento recente do presidente do BC, Gabriel Galípolo, que afirmou não ver necessidade de criar um código de comunicação para indicar próximos movimentos. No encontro anterior, o BC classificava a estratégia como suficiente, agora avalia como adequada.
A maior parte do mercado previa estabilidade da Selic. Das 112 instituições consultadas pelo Valor Pro, 110 projetavam manutenção e duas esperavam corte de 0,25 ponto. Para o início da redução dos juros, as apostas se dividem entre janeiro e março.
O BC atualizou projeções oficiais de inflação com queda em todos os prazos considerados. No segundo trimestre de 2027, o horizonte de convergência, a projeção recuou de 3,3% para 3,2%. Para 2025, houve queda de 4,6% para 4,4%. Para 2026, de 3,6% para 3,5%. O BC ponderou que o cenário segue marcado por expectativas desancoradas, resiliência da atividade e pressões no mercado de trabalho.
Sobre a inflação corrente, destacou algum arrefecimento, embora tanto o índice geral quanto as medidas subjacentes permaneçam acima da meta. O IPCA de novembro ficou em 4,46%, dentro do intervalo de tolerância pela primeira vez desde setembro de 2024.
A desaceleração do PIB, com alta de 0,1% no terceiro trimestre, foi classificada como esperada. O comitê também trocou a classificação do mercado de trabalho de dinâmico para resiliente, com a taxa de desemprego em 5,4% no trimestre encerrado em outubro.
No cenário externo, o BC voltou a recomendar cautela diante da incerteza global e das decisões de política econômica dos Estados Unidos. A instituição disse acompanhar os anúncios sobre tarifas comerciais dos EUA ao Brasil e os desdobramentos da política fiscal doméstica.
Economistas consultados avaliaram movimentos sutis na comunicação do BC. Marco Caruso, do Santander Brasil, citou a redução da projeção de 2027 e a troca de expressões como sinais leves de avanço para uma postura mais favorável ao corte. Natalie Victal, da SulAmérica Investimentos, disse que a projeção de 3,2% já parece defasada pelo efeito do câmbio mais alto e manteve previsão de cortes a partir de março. Rafaela Vitória, do Banco Inter, segue projetando início da queda dos juros em janeiro, condicionada à evolução do cenário, e destacou riscos político fiscais que podem atrasar cortes em 2026.
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