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Política em Foco Brasil

Correios recebem R$ 10 bilhões em empréstimos com aval da União

Crédito integra operação de R$ 12 bilhões para reestruturação financeira da estatal

30/12/2025 22h34
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Os Correios receberam, nesta terça-feira (30), o repasse de R$ 10 bilhões referentes ao contrato de empréstimo firmado com um consórcio de bancos, com garantia da União. A liberação ocorreu após a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional publicar o contrato que coloca o governo federal como avalista da operação, que totaliza R$ 12 bilhões. Os R$ 2 bilhões restantes devem ser depositados em janeiro.

A confirmação do repasse foi obtida com exclusividade pelo g1. Durante coletiva realizada na segunda-feira (29), a empresa havia informado que aguardava a publicação do contrato para viabilizar o crédito ainda em 2025. Com os recursos liberados, os Correios efetuaram o pagamento do salário de dezembro de todos os funcionários, estimado em R$ 300 milhões.

O contrato de empréstimo foi publicado no sábado (27), no Diário Oficial da União, e envolve um consórcio formado pelos bancos Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O acordo tem validade até 2040 e recebeu aval do Tesouro Nacional em 18 de dezembro.

Segundo o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco aportarão R$ 3 bilhões cada. Itaú e Santander emprestarão R$ 1,5 bilhão cada. O contrato prevê carência de três anos, com pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029, e taxa de juros de 115% do CDI, abaixo do teto de 120% definido pelo Tesouro.

Com a garantia da União, o governo federal deverá honrar as parcelas caso a estatal fique inadimplente, oferecendo respaldo adicional às instituições financeiras envolvidas na operação.

Durante a coletiva, Rondon afirmou que a empresa ainda avalia a possibilidade de captar mais R$ 8 bilhões para concluir o plano de recuperação econômico-financeira. Segundo ele, os recursos podem vir de aportes do Tesouro Nacional ou de novo empréstimo, alternativa que ainda está em análise.

A ideia inicial dos Correios era contratar R$ 20 bilhões em crédito, proposta que não foi autorizada pelo Tesouro em razão da taxa de juros considerada elevada. “O plano de reestruturação foi concebido com uma necessidade declarada de captação de recursos da ordem de R$ 20 bilhões. Então, a gente fez uma primeira rodada com bancos, recebemos oferta dos R$ 20 bilhões, mas a uma taxa que a gente entendeu que estava mais elevada”, afirmou Rondon.

O plano de reestruturação prevê redução de gastos e reorganização da empresa. Entre as medidas estão corte de R$ 2 bilhões em despesas com pessoal, venda de imóveis e fechamento de mil agências, das cerca de 5 mil existentes. A estatal também pretende implementar um programa de demissão voluntária, com expectativa de redução de 15 mil funcionários em até dois anos, o que representa cerca de 18% da folha.

Segundo Rondon, o modelo econômico-financeiro da empresa deixou de ser “viável”, e o plano busca reverter 12 trimestres consecutivos de prejuízo. A proposta prevê recuperação das contas em 2026 e retomada do lucro a partir de 2027.

Em setembro, os Correios divulgaram prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, ante resultado negativo de R$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2024. O presidente da estatal alertou para a possibilidade de prejuízo de R$ 23 bilhões em 2026 caso não haja ajustes. “Não tem mudança substancial em 2025 que vá afetar este ano. A expectativa é que ainda exista uma leve piora para 2026”, disse.

No campo das receitas, a empresa projeta alcançar R$ 21 bilhões em 2027. Em 2024, a receita total foi de R$ 18,9 bilhões, contra R$ 19,2 bilhões em 2023 e R$ 19,8 bilhões em 2022. Até setembro de 2025, houve queda de quase R$ 2 bilhões em relação ao mesmo período de 2024, impacto atribuído ao programa Remessa Conforme.

A estatal informou ainda que perdeu participação no mercado de encomendas entre 2019 e 2025, passando de 51% para 22%. “O monopólio de cartas em centros urbanos ou em locais que geravam rentabilidade passou a não ser suficiente para financiar as comunicações físicas que estão ligadas a universalização do serviço postal em locais remotos ou locais que são originalmente deficitários”, afirmou Rondon.

Os Correios também planejam investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, por meio de empréstimo junto ao Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, destinado à automação de centros de tratamento, renovação e descarbonização da frota, modernização da infraestrutura de TI e redesenho da malha logística.

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