Em entrevista ao programa É do Povo, transmitido pela rádio Sauípe FM (102,9), nesta quinta-feira (26), o delegado titular da 25ª Delegacia Territorial (DT) de Dias d’Ávila, Euvaldo Costa, comentou a condenação dos réus envolvidos no assassinato da cantora gospel Sara Freitas, morta em 24 de outubro de 2023. O Júri Popular ocorreu no Fórum Desembargador Gérson Pereira dos Santos, durou dois dias e foi encerrado nesta quarta-feira (25).
No julgamento, Ederlan Santos Mariano foi condenado a 34 anos e 5 meses de reclusão. Ele era marido da vítima e apontado como mentor do crime. Victor Gabriel Oliveira Neves recebeu pena de 33 anos e 2 meses, acusado de segurar Sara enquanto ela era esfaqueada. Já Weslen Pablo Correia de Jesus, conhecido como bispo Zadoque, foi condenado a 28 anos e 6 meses, apontado como o responsável por esfaquear a cantora.
O delegado destacou que o resultado do júri confirmou o trabalho apresentado pela Polícia Civil durante a investigação e ressaltou o esforço coletivo da equipe que atuou no caso. Segundo ele, a decisão do tribunal refletiu integralmente o que foi apontado no inquérito.
“A equipe foi intensa, se dedicou bastante, contou exaustão e não contava com as dificuldades para parar o serviço. Então estava sempre disposto, foi um trabalho de muitas mãos. Olha, eu estava até comentando agora pela manhã que a condenação refletiu 100% do que relatamos no inquérito. Porque no inquérito a gente sugere, faz o indiciamento das qualificadoras e dos demais crimes, como ocultação de cadáver e associação criminosa. Então, o júri acabou analisando todas as teses da acusação e resultou nessa condenação.”
Euvaldo Costa também explicou que costuma acompanhar julgamentos relacionados a inquéritos presididos por ele, como forma de aprimorar o trabalho investigativo, e comentou a postura de parte da defesa durante o júri. De acordo com o delegado, a estratégia adotada foi de atacar profissionais envolvidos no processo, em vez de rebater os fatos.
“Eu tenho o costume de participar dos júris que eu presido o inquérito, porque para mim serve como momento pedagógico, para que eu possa corrigir eventuais defeitos e fechar as brechas para a defesa. E nesse inquérito especialmente, eu percebi que alguns advogados não tinham argumento dos fatos, passaram então a atacar os periféricos, que são as pessoas que trabalham no processo, tipo o delegado policial. Então houve um ataque muito grande, a figura do delegado. Eu acho que é uma fraqueza da defesa, quando se aparta dos fatos para atacar o profissional, achando que com isso vai convencer o jurado.”
Durante a entrevista, o delegado também esclareceu a polêmica envolvendo um possível quinto nome citado durante o julgamento e explicou por que ele não foi incluído entre os acusados. Segundo Euvaldo, não houve elementos suficientes para o indiciamento, e a pessoa acabou sendo ouvida como testemunha.
“Essa quinta pessoa que eles falaram é o Davi, que ele entrou no carro após a execução do crime e nós não enxergamos mais nada dos fatos que resultaram no resultado da morte de Sara. Nós não vimos nenhuma conduta do Davi que fosse plausível para incluí-lo no rol dos acusados. Se houvesse, certamente, o Ministério Público não deixaria passar. Então foi uma coisa bem consciente que nós fizemos, não encontramos elementos para indiciá-lo e ele serviu como testemunha. Isso, para os acusados, foi um elemento de trazer uma confusão na mente dos jurados, mas não funcionou, porque o jurado acatou exatamente o que tinha com respaldo nas provas”, disse o delegado, Euvaldo Costa.
Além dos três condenados no julgamento encerrado nesta quarta-feira (25), o caso também envolve Gideão Duarte de Lima, responsável por conduzir Sara até o local do crime. Ele foi julgado separadamente em 2025 e condenado a 20 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa.
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