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Geral Saúde

Brasileiros ainda negligenciam check-ups e dificultam diagnóstico precoce de doenças silenciosas

Especialista alerta que ausência de sintomas não indica ausência de risco e destaca papel da prevenção

14/04/2026 18h59
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Freepik
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Mesmo com maior acesso à informação, a maior parte da população brasileira ainda procura atendimento médico apenas diante de sintomas, comportamento que pode atrasar o diagnóstico de doenças silenciosas e comprometer a eficácia do tratamento. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que 70,6% dos brasileiros não realizam check-ups com regularidade, priorizando consultas apenas quando há sinais aparentes de doença.

De acordo com o médico clínico geral da Hapvida, Rafael Catramby, esse comportamento está relacionado ao fato de diversas enfermidades evoluírem de forma assintomática. Ele observa que condições como hipertensão e diabetes podem se desenvolver por anos sem manifestações evidentes, e aponta que cerca de metade dos hipertensos e até 40% dos diabéticos desconhecem o próprio diagnóstico.

O especialista destaca que, além de doenças cardiovasculares e metabólicas, alguns tipos de câncer com possibilidade de rastreamento também apresentam evolução silenciosa, como os de mama, próstata, pulmão e intestino. Nesses casos, a identificação tardia tende a exigir tratamentos mais complexos e reduzir as chances de controle ou cura.

Na prática clínica, o check-up é tratado como estratégia de rastreamento, com foco na identificação precoce de doenças. Segundo o médico, a definição dos exames deve considerar histórico do paciente, hábitos de vida e fatores de risco, evitando solicitações padronizadas sem critério clínico. Entre os exames básicos estão aferição da pressão arterial, glicemia, hemoglobina glicada, avaliação do colesterol e análise da função renal. Já exames como mamografia, Papanicolau e colonoscopia devem seguir recomendações específicas, conforme idade e perfil de risco.

A frequência das avaliações também deve ser individualizada. Embora consultas anuais sejam adotadas como referência, a periodicidade depende da condição clínica de cada paciente e deve ser definida a partir de avaliação médica criteriosa.

O diagnóstico precoce impacta diretamente na qualidade de vida, conforme ressalta o especialista. Ele explica que, quando identificadas em estágio inicial, muitas doenças podem ser controladas ou revertidas com mudanças no estilo de vida, reduzindo a necessidade de intervenções mais complexas.

Além do acompanhamento médico, a adoção de hábitos saudáveis é considerada essencial na prevenção. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, qualidade do sono e atenção à saúde mental contribuem para a redução de riscos. O médico destaca que grande parte dos fatores associados ao desenvolvimento de doenças é modificável e que o cuidado deve começar antes do surgimento de sintomas.

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