Um salva-vidas que atua no litoral de Camaçari denunciou falta de efetivo, precariedade na estrutura de trabalho e ausência de cobertura contínua nas praias do município após as mortes de dois familiares em Itacimirim. O desabafo foi publicado nas redes sociais nesta terça-feira (28), um dia após a tragédia registrada no encontro do rio com o mar.
Conhecido nas redes sociais como Lenon Board, o profissional afirmou que cerca de 30 salva-vidas teriam sido desligados recentemente, o que comprometeria o atendimento em diferentes pontos da orla. Segundo ele, a quantidade atual de agentes não seria suficiente para cobrir toda a extensão do litoral de Camaçari, especialmente fora dos períodos de maior fluxo de turistas.
De acordo com o relato, a contratação reforçada costuma ocorrer durante a alta estação, quando há maior circulação de visitantes. Após esse período, parte dos profissionais seria dispensada e o serviço passaria a funcionar, em maior escala, apenas aos finais de semana. O salva-vidas afirmou que, entre segunda-feira e quinta-feira, diversas praias ficam sem cobertura regular.
Ao comentar o caso ocorrido em Itacimirim, o profissional destacou que o acidente aconteceu em uma segunda-feira (27), justamente em um período em que, segundo ele, há redução do serviço preventivo. Para o agente, a ausência de cobertura permanente expõe moradores e frequentadores que utilizam as praias durante toda a semana.
Além do baixo efetivo, o salva-vidas também denunciou falta de equipamentos adequados para resgate e condições precárias de trabalho. Segundo ele, materiais disponibilizados aos profissionais estariam desgastados e deteriorados, alguns já se desfazendo com o uso. O agente afirmou ainda que determinados postos não contam sequer com prancha de salvamento, item considerado essencial nas ocorrências no mar.
Na avaliação do profissional, a carência de estrutura aumenta o risco para banhistas e para os próprios trabalhadores, principalmente em áreas marcadas por correntezas fortes e mudanças repentinas da maré. Ele também criticou o que classificou como política de economia de recursos em detrimento da segurança nas praias.
Outro ponto citado no relato envolve a saúde ocupacional da categoria. Segundo o salva-vidas, promessas de melhorias feitas anteriormente aos profissionais não teriam sido cumpridas. Ele defendeu maior valorização da atividade e planejamento permanente para garantir prevenção de acidentes durante todo o ano.
A manifestação ocorreu após a morte de Joilson Silva dos Santos, de 31 anos, e Maciel dos Santos da Silva, de 43. Os dois entraram no mar para tentar salvar uma criança em situação de risco e não resistiram. Joilson teve o corpo resgatado ainda no dia da ocorrência.
Maciel permaneceu desaparecido até terça-feira (28), quando foi localizado na região de Praia do Forte, atrás de um condomínio, após ser arrastado pela maré. O resgate contou com atuação de salva-vidas que participavam das buscas, além de apoio local.
A tragédia causou comoção entre moradores e reacendeu discussões sobre a necessidade de reforço na prevenção, sinalização de risco e presença permanente de equipes de salvamento ao longo da orla de Camaçari.
A Prefeitura de Camaçari foi procurada pela reportagem do Jornal Correio* para comentar as denúncias sobre efetivo e estrutura, mas não havia se manifestado até o fechamento da matéria. O espaço permanece aberto para posicionamento oficial.
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