O governo federal acompanha com preocupação o avanço de investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos que envolvem o Brasil e podem resultar na adoção de novas barreiras tarifárias contra produtos nacionais.
Entre os temas que passaram a ser observados pelo governo norte-americano está o Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central, além de questões relacionadas ao combate à entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. A análise é conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
Nos bastidores, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a conclusão de uma das investigações em andamento poderá resultar na recomendação de novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A expectativa é de que eventuais sobretaxas possam variar entre 10% e 15%, embora nenhuma medida oficial tenha sido anunciada.
A investigação foi aberta pelo USTR em março de 2026 e envolve outros 59 países. Segundo o órgão norte-americano, o objetivo é verificar se os governos adotam mecanismos suficientes para impedir a circulação e a importação de mercadorias produzidas com mão de obra forçada.
Ao anunciar a apuração, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que diversos países têm falhado na implementação de medidas eficazes para impedir a entrada desses produtos em seus mercados, o que, segundo a avaliação do órgão, poderia gerar impactos para empresas norte-americanas.
A investigação utiliza como base a chamada Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, mecanismo que permite ao governo norte-americano aplicar medidas contra práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.
Caso o USTR conclua que houve prejuízo aos interesses comerciais dos Estados Unidos, poderão ser adotadas ações como restrições comerciais e tarifas adicionais sobre produtos importados dos países investigados.
O Brasil apresentou sua defesa em abril. Na ocasião, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, argumentou que o país possui legislação, instrumentos de fiscalização e acordos internacionais voltados ao combate ao trabalho análogo à escravidão.
Segundo o chanceler, o Brasil mantém um amplo conjunto de medidas para impedir a comercialização de produtos fabricados com trabalho forçado e para fortalecer mecanismos de controle e fiscalização.
O tema ganhou ainda mais repercussão após autoridades brasileiras reagirem a questionamentos norte-americanos relacionados ao Pix. Representantes do governo e entidades do setor financeiro defendem que o sistema brasileiro de pagamentos é uma infraestrutura pública de transações financeiras e não uma prática comercial discriminatória.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também manifestou posição favorável ao modelo, afirmando que o Pix opera em ambiente aberto, com participação de instituições nacionais e estrangeiras autorizadas a atuar no mercado brasileiro.
Até o momento, o governo dos Estados Unidos não divulgou oficialmente as conclusões da investigação nem anunciou eventuais medidas contra o Brasil.
Eleições 2026 Republicanos de Tarcísio anuncia apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno
Política Governo prepara calendário para acelerar fim da escala 6x1; Alcolumbre diz que vai votar
Eleições “Precisamos mudar o nosso país”, afirma ACM Neto ao anunciar apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno das eleições
Eleições 2026 Após chamar Bahia de 'câncer do Brasil', Rodrigo Constantino vira alvo de investigação
Eleições 2026 Flávio Bolsonaro critica fim da escala 6x1 e defende contratação por hora
Eleições 2026 Com apoio da União Progressista a Flávio Bolsonaro, 2º turno deve contar com ato em Salvador com oposição na Bahia