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Política em Foco Brasil

Pix entra no radar dos EUA e governo acompanha risco de novas tarifas contra o Brasil

Investigação conduzida pelo órgão de comércio norte-americano pode resultar em sobretaxas adicionais sobre produtos brasileiros, segundo avaliação de integrantes do governo federal

02/06/2026 23h30
Por: Luana Velloso Fonte: Redação
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O governo federal acompanha com preocupação o avanço de investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos que envolvem o Brasil e podem resultar na adoção de novas barreiras tarifárias contra produtos nacionais.

Entre os temas que passaram a ser observados pelo governo norte-americano está o Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central, além de questões relacionadas ao combate à entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. A análise é conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).

Nos bastidores, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a conclusão de uma das investigações em andamento poderá resultar na recomendação de novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A expectativa é de que eventuais sobretaxas possam variar entre 10% e 15%, embora nenhuma medida oficial tenha sido anunciada.

A investigação foi aberta pelo USTR em março de 2026 e envolve outros 59 países. Segundo o órgão norte-americano, o objetivo é verificar se os governos adotam mecanismos suficientes para impedir a circulação e a importação de mercadorias produzidas com mão de obra forçada.

Ao anunciar a apuração, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que diversos países têm falhado na implementação de medidas eficazes para impedir a entrada desses produtos em seus mercados, o que, segundo a avaliação do órgão, poderia gerar impactos para empresas norte-americanas.

A investigação utiliza como base a chamada Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, mecanismo que permite ao governo norte-americano aplicar medidas contra práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.

Caso o USTR conclua que houve prejuízo aos interesses comerciais dos Estados Unidos, poderão ser adotadas ações como restrições comerciais e tarifas adicionais sobre produtos importados dos países investigados.

O Brasil apresentou sua defesa em abril. Na ocasião, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, argumentou que o país possui legislação, instrumentos de fiscalização e acordos internacionais voltados ao combate ao trabalho análogo à escravidão.

Segundo o chanceler, o Brasil mantém um amplo conjunto de medidas para impedir a comercialização de produtos fabricados com trabalho forçado e para fortalecer mecanismos de controle e fiscalização.

O tema ganhou ainda mais repercussão após autoridades brasileiras reagirem a questionamentos norte-americanos relacionados ao Pix. Representantes do governo e entidades do setor financeiro defendem que o sistema brasileiro de pagamentos é uma infraestrutura pública de transações financeiras e não uma prática comercial discriminatória.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também manifestou posição favorável ao modelo, afirmando que o Pix opera em ambiente aberto, com participação de instituições nacionais e estrangeiras autorizadas a atuar no mercado brasileiro.

Até o momento, o governo dos Estados Unidos não divulgou oficialmente as conclusões da investigação nem anunciou eventuais medidas contra o Brasil.

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