A diretoria do Vitória manteve o respaldo ao técnico Jair Ventura e ao elenco mesmo após quatro derrotas consecutivas e a eliminação para o Vasco nas quartas de final da Copa do Brasil. Em entrevista coletiva concedida pelo presidente Fábio Mota e pelo diretor de futebol Sérgio Papellin, na manhã desta sexta-feira (4), no CT Manoel Pontes Tanajura, os dirigentes atribuíram parte do momento da equipe ao desgaste provocado pelo calendário e ao elevado número de lesões, além de garantirem a busca por reforços para a sequência do Campeonato Brasileiro. Nos últimos dez jogos, o Vitória soma oito derrotas e duas vitórias.
Fábio Mota afirmou que a situação não é decorrente de problemas internos no elenco e destacou que o clube não enfrenta atrasos salariais. Segundo o presidente, a equipe vem sofrendo com uma sequência de contusões e com o desgaste provocado pelo planejamento da temporada, que envolveu a disputa de quatro competições. “Estamos aqui para justificar os acontecimentos e prestigiar o treinador e o elenco. Quero mostrar que nossos problemas não são internos, de desunião. Nosso problema é físico”, afirmou. Ele também relacionou o desgaste à trajetória na Copa do Brasil e avaliou que, caso o Vitória não tivesse avançado na competição, o número de jogadores lesionados poderia ser menor.
A diretoria também descartou, neste momento, uma mudança no comando técnico. Papellin afirmou que Jair Ventura permanece com a confiança dos dirigentes e que, se a avaliação mudar no futuro, o clube poderá fazer uma troca. O diretor disse ainda que o elenco mantém uma relação de respeito com o treinador e que não há sinais de rejeição ao trabalho do técnico.
O calendário é outro fator apontado pela direção para explicar a queda de rendimento. Depois de passar cerca de 50 dias sem disputar partidas em razão da pausa para a Copa do Mundo, o Vitória realizou 12 jogos em 49 dias, média de aproximadamente uma partida a cada quatro dias. Atualmente, nove jogadores estão entregues ao departamento médico: Nathan Mendes, Camutanga, Edu, Dudu, Rúben Ismael e Anderson Pato, que estão afastados há mais tempo, além de Baralhas, Martínez e Ramon, considerados desfalques mais recentes.
Mota negou ainda a existência de problemas disciplinares ou financeiros no grupo. “Não tem corpo mole de atleta, não tem salário atrasado, não tem laranja podre dentro do elenco”, afirmou. O presidente classificou o elenco como pequeno para a quantidade de competições disputadas e disse que o clube conta com apenas 30 atletas. Também destacou as ausências de Camutanga, Edu, Dudu, Nathan, Baralhas, Martínez e Ramon e afirmou que as limitações orçamentárias impedem o Vitória de manter um grupo de 60 jogadores do mesmo nível.
A necessidade de reação ganha peso diante da situação do clube no Campeonato Brasileiro. O Vitória ocupa a 13ª colocação, com 29 pontos, quatro acima do Vasco, que abre a zona de rebaixamento e tem uma partida a menos. De acordo com as contas apresentadas por Fábio Mota, o time precisa somar 14 pontos nos 13 jogos restantes para escapar do risco de queda e vencer cinco dos sete compromissos que ainda terá como mandante.
O primeiro desses jogos em casa está marcado para segunda-feira (7), às 20h, contra o Grêmio, no Barradão, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. Mota considerou a vitória fundamental para iniciar uma reação e afirmou que a diretoria vem adotando medidas para dar suporte à equipe, citando pagamentos em dia e voos fretados. O presidente também relatou que o treinador informou que sete jogadores pediram para sair durante a partida contra o Vasco e questionou quais alternativas poderiam ser adotadas diante dos desfalques.
Paralelamente, o Vitória trabalha para reforçar o elenco. Sérgio Papellin afirmou que o clube pretende contratar duas ou três peças, principalmente em razão das lesões, e que a diretoria está avaliando alternativas no mercado. A janela de transferências permanece aberta até 11 de setembro, o que deixa o clube com pouco mais de uma semana para concluir as negociações e regularizar eventuais novos jogadores. O dirigente informou que há atletas avaliados fora do Brasil, mas evitou indicar as posições buscadas.
Papellin explicou que o clube também monitora jogadores do mercado nacional, incluindo atletas de outras divisões e da Série A que ainda não atingiram o limite de 12 partidas na competição. Segundo ele, as restrições financeiras exigem uma busca por oportunidades em diferentes mercados. O diretor citou ainda a diferença de orçamento do Vitória em relação a clubes como Vasco, Flamengo e Palmeiras como um dos fatores que limitam as opções para contratações.
A situação financeira também foi abordada durante a coletiva. Fábio Mota afirmou que a dívida atual do Vitória é de R$ 335 milhões e que, quando assumiu a presidência, o passivo ultrapassava R$ 600 milhões. O dirigente sustentou que o clube está em processo de reconstrução e reiterou a confiança no elenco, apesar da sequência negativa. Também afirmou que os salários estão em dia.
Mota aproveitou ainda para cobrar publicamente o Grêmio por uma dívida de aproximadamente R$ 2,7 milhões referente à contratação do zagueiro Wagner Leonardo, em 2025. A cobrança ocorreu após a classificação do clube gaúcho para as semifinais da Copa do Brasil, resultado que, segundo o presidente do Vitória, garantiu ao Grêmio R$ 9 milhões em premiação. Ao final da coletiva, Mota pediu que o clube gaúcho utilize os recursos para quitar o débito com o Vitória.
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