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Política em Foco Crise institucional

Fachin manda Mendonça retirar sigilo do caso Master

Presidente do STF determina que informações do processo sejam públicas, preservando apenas diligências que dependam de sigilo para não comprometer a investigação.

10/09/2026 23h49
Por: Redação Fonte: Mais Região
Reprodução
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, determinou nesta quinta-feira (10) que o ministro André Mendonça retire o sigilo do processo relacionado ao caso Banco Master. A orientação representa mais um movimento para tentar conter a escalada da crise interna que atingiu a mais alta Corte do país. 

Em despacho, Fachin estabeleceu que devem permanecer sob sigilo somente as diligências cuja confidencialidade seja imprescindível para a realização das medidas. Com isso, a regra passa a ser a publicidade dos documentos e procedimentos que não tenham justificativa concreta para permanecerem fechados.

A decisão ocorre após Mendonça ter tornado públicas informações extraídas de materiais relacionados à investigação, incluindo conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O conteúdo provocou forte reação dentro do STF e ampliou a pressão sobre a condução do caso. 

O caso envolve uma investigação de grande repercussão sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro, que está no centro das apurações. A divulgação de mensagens envolvendo autoridades do Supremo colocou a própria Corte no foco da investigação e abriu uma crise institucional sem precedentes recentes.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) questionou a atuação de Mendonça e pediu a nulidade do relatório da Polícia Federal que reuniu as informações sobre as conversas. Segundo a PGR, o ministro teria ultrapassado suas atribuições ao aprofundar uma investigação envolvendo outro integrante do Supremo. 

A crise também provocou uma sucessão de decisões conflitantes entre ministros do STF. Mendonça chegou a determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, mas a medida foi posteriormente suspensa por Flávio Dino e, depois, por Fachin. O presidente da Corte também determinou que novas investigações envolvendo ministros do Supremo passem previamente por sua análise. 

O próximo capítulo será decidido pelo plenário do STF. Fachin convocou uma sessão extraordinária para a próxima terça-feira (15), quando os ministros deverão analisar o relatório da Polícia Federal e o pedido da PGR para anulá-lo. Também estará em discussão a existência ou não de elementos que justifiquem uma investigação envolvendo Alexandre de Moraes. 

A determinação de Fachin coloca o Supremo diante de um teste de transparência e de autoridade institucional. Ao restringir o sigilo apenas ao que for indispensável à investigação, o presidente da Corte tenta impedir que documentos sejam mantidos longe do público sem uma justificativa objetiva — justamente no momento em que a credibilidade do tribunal está sob forte pressão.

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