Terça, 06 de Outubro de 2026 05:18
(71) 99663.6360
Dólar comercial R$ 5, +0,02%
Euro R$ 5,61 ++0,05%
Bitcoin R$ 453.386,51 -0,28%
Bovespa 206.911,89 pontos +7.7%
Política em Foco Eleições 2026

Após prometer picanha, Lula diz que, “se não tem carne a gente come o ovo”

Presidente reconheceu que alimentos seguem caros, mas defendeu que salário mínimo consiga comprar mais cestas básicas.

12/09/2026 13h18 Atualizada há 3 semanas atrás
Por: Redação Fonte: Mais Região

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou repercussão ao comentar o custo de vida e os preços dos alimentos durante comício realizado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na noite desta sexta-feira (11). Ao falar sobre as dificuldades enfrentadas pela população, Lula recorreu a uma solução bastante direta para quem não consegue comprar carne: trocar o alimento pelo ovo.

“Se não tem carne, a gente come ovo. Se não tem ovo, a gente come carne”, afirmou o presidente. Na sequência, Lula contou que, quando não tinha nenhum dos dois alimentos, levava “marmita, feijão e arroz puro”. A declaração rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, especialmente pelo contraste entre o discurso presidencial e a realidade de famílias que enfrentam dificuldades para fechar as contas no supermercado.

O próprio presidente reconheceu que o problema existe. Durante o discurso, afirmou saber que “o custo de vida está caro” e citou especificamente carne, café e ovos. A fala ocorre enquanto o governo tenta transformar a recuperação do poder de compra em uma das vitrines de sua campanha pela reeleição.

Lula também afirmou que pretende fazer o salário mínimo comprar “muito mais cesta básica”. Segundo ele, atualmente o mínimo voltou a ter capacidade de adquirir cerca de duas cestas básicas, depois de ter chegado a comprar apenas uma e meia no início de seu atual mandato.

O discurso, porém, encontra um cenário que permite uma leitura menos confortável para o governo. Embora o IPCA tenha registrado deflação de 0,32% em agosto e o grupo de alimentação e bebidas tenha recuado 0,34%, carnes e outros produtos continuam pressionando o orçamento das famílias.

Em junho, levantamento do Dieese apontou que a cesta básica havia subido em 17 capitais. Em São Paulo, por exemplo, o custo chegou a R$ 965,47, enquanto o salário mínimo vigente era de R$ 1.621. O cálculo do Dieese indicava que, considerando a cesta mais cara, o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92.

A fala de Lula, portanto, expõe uma contradição incômoda: enquanto o presidente promete um salário mínimo capaz de comprar cada vez mais comida, o brasileiro que vai ao mercado continua fazendo contas, substituindo produtos e escolhendo o que cabe no carrinho. No fim das contas, entre a promessa de uma cesta básica mais acessível e a realidade do supermercado, ainda existe uma conta — e quem paga é o consumidor.

 

 
 
 
 
 
Ver esse post no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Um post compartilhado por Mais Região (@maisregiao)

 

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.