O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que pretende manter o fim da escala de trabalho 6x1, proposta à qual era contrário antes de mudar de posicionamento. Durante sabatina concedida à TV Globo nesta sexta-feira (16), ele disse que a decisão de apoiar a mudança ocorreu após ouvir trabalhadores em viagens pelo Brasil.
Ao explicar a mudança de opinião, o candidato declarou que levou em consideração as manifestações de pessoas que encontrou durante a pré-campanha. "Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas. Como ouvi da grande maioria dos trabalhadores que eles estavam a favor do fim da escala 6x1, resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, afirmou.
Apesar de defender a medida, Flávio Bolsonaro argumentou que a ampliação do período de descanso precisa ser acompanhada de outras ações para melhorar as condições de vida da população. Ele mencionou problemas relacionados à segurança pública e às dificuldades financeiras enfrentadas pelos trabalhadores.
"O problema é que, durante essa folga, com mais um dia de folga, você vai continuar andando de ônibus e sendo assaltado. Com um dia a mais de folga, você vai continuar indo dormir preocupado porque você está devendo e o seu salário não está durando até o dia 30, está durando só até o dia 20. Então, eu vou ser um presidente da República que, além de respeitar e garantir essa folga a mais para os trabalhadores, vou fazer de tudo para devolver o poder de compra do povo brasileiro e devolver a segurança nas ruas para que todos possam andar com mais segurança".
Antes de rever sua posição, o senador havia classificado a proposta como eleitoreira e oportunista. Na entrevista, afirmou que sempre defendeu "mais liberdade, para que os trabalhadores pudessem inclusive montar a sua própria escala de trabalho". Questionado sobre aliados que apoiam um modelo diferente, com remuneração e direitos proporcionais às horas trabalhadas, ele disse que respeitará a decisão do Congresso.
"Todos os direitos trabalhistas estão garantidos. Cada um pode ter a sua opinião individual, mas de minha parte isso aqui está respeitado. Foi uma decisão do Congresso Nacional. Então, da minha parte, nenhum questionamento com relação a isso."
A declaração integra a série de posicionamentos apresentados por Flávio Bolsonaro durante a sabatina, na qual também abordou propostas econômicas, segurança pública e mudanças no funcionamento do governo federal. A entrevista foi conduzida pela jornalista Renata Lo Prete e exibida pela TV Globo, pela GloboNews e pelo g1.
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