Folha A presidente Dilma Rousseff reuniu-se nesta terça-feira (18) à noite com o ex-presidente Lula em Brasília para analisar nomes de sua futura equipe econômica e discutir a crise gerada pela última fase da Operação Lava Jato, que fragilizou ainda mais a Petrobras. Dilma analisou com Lula pelo menos três nomes e pode anunciar seu novo ministro da Fazenda ainda nesta semana. Entre os nomes discutidos, um ainda é visto como incerto: o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, nome que conta tanto com a simpatia de Dilma como de Lula. Outros duas opções são o ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda Nelson Barbosa e o atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Correndo por fora, mas avaliado como mais improvável, está o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, o preferido de Lula. O encontro ocorreu na Granja do Torto e contou também com a presença do ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) e o presidente do PT, Rui Falcão. Interlocutores de Lula disseram à Folha que o ex-presidente avalia que, como Dilma resiste a Meirelles, o melhor nome seria o de Trabuco. O presidente do Bradesco, porém, disse a amigos que não estava disposto a aceitar o convite. Amigos de Lula avaliam que o executivo do Bradesco pode reavaliar sua posição e aceitar a missão de chefiar a equipe econômica de Dilma em seu segundo mandato. Na reunião da Granja do Torto, foi avaliado ainda que, talvez, o melhor seria indicar neste ano apenas a equipe econômica (Fazenda, Planejamento e Banco Central), além do grupo palaciano (Casa Civil, Secretaria-Geral e Relações Institucionais), deixando os ministros das cotas partidárias para 2015. Na avaliação do governo, a crise gerada pela Operação Lava Jato e a disputa pelo comando da Câmara dos Deputados recomendam aguardar os desdobramentos destes dois casos para montar a equipe ministerial vinculada aos partidos da base aliada. O grupo de Lula também está preocupado com as primeiras sinalizações do governo sobre medidas na área econômica. Lulistas disseram à Folha que os comentários do ministro Aloizio Mercadante sobre futuras medidas de ajuste fiscal não estão sendo bem recebidas pelo mercado. A avaliação é que Mercadante estaria falando demais sobre economia antes da nomeação do futuro ministro da Fazenda, a quem deveria caber o papel de definir a estratégia da nova política econômica da presidente Dilma. Para lulistas, Mercadante passa a ideia de que o ajuste fiscal não será prioridade do segundo mandato. Um interlocutor do ex-presidente diz que isto pode ser fatal, fazendo o país perder o grau de investimento, prejudicando a entrada de recursos no país e encarecendo o crédito para empresas brasileiras no exterior. (Foto: Reprodução)
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